procurador_nazista

Pra não dizer que não falei de merda

O Procurador da República Ailton Benedito protagoniza a aguerrida comunidade GLO em Goiás a partir do Ministério Público Federal. Não, senhores! Não se trata de um racha da comunidade LGBT como poderiam sugerir as siglas. Sempre metodicamente ridículo em suas atuações de impacto, sagra-se ponta de uma fração do estamento do alto funcionalismo público federal, cujo credo é a Garantia da Lei e da Ordem, um cruzeiro fincado na Constituição Federal. Lidera a procissão por ocupar hoje o cargo de Procurador-Chefe da Procuradoria da República no Estado. Mera e infeliz contingência de um arremedo republicano no órgão, revezamento sem alternância significativa no geral. O “infeliz” está na estreita convergência ideológica e política do atual chefe com o governo de Bolsonaro. Fome com vontade de matar. Os GLOs capitaneados por Ailton Benedito contam-se aos milhares nas redes sociais, exibindo numericamente considerável apoio a suas idéias e rendendo-lhe muitos likes e joinhas, um jogo em campo alugado ao Estado, no qual o MPF vira bola numa partida particular-pública pagando veleidades e insânia com dinheiro público nos tiros de meta. Mas o que querem os GLOs de fato? Acalentam reservados, enquanto membros da magistratura, mas muito ativos( ou ativistas) dentro da lei, o sonho de patrocinarem e assistirem a uma espetacular parada por todas as ruas do Brasil. Não, senhores! Não seria uma Parada Gay, como a de São Paulo: nada a ver. Antes, bem ao contrário como veremos rapidamente. A apoteose onírica seria uma parada militar, ou melhor, uma intervenção militar, para disciplinar a cacetadas os arruaceiros impatriotas e anti-cristãos que não deixam o Presidente Bolsonaro trabalhar e o obrigam, segundo bolsominions tardiamente arrependidos, a cometer “estelionato eleitoral”, por isso punível com impeachment ( punição por não ter cumprido de modo mais célere e decisivo o que prometeu? É o que nas profundezas afirmam com essa justificativa de aderência ao impedimento por estelionato). Estão a postos para salvaguardar com porrete a vida e a liberdade dos homens de bem, os que têm bens em risco. Com a palavra o ele mesmo, para registrar que entendemos perfeitamente que seu conceito de bem está amarrado pela corrente de ouro dos valores morais e éticos cristãos ao tronco dos patrimônios e da riqueza: “Acredita[o] na educação, no trabalho, no esforço individual, pautados por valores inquebrantáveis de fé em Deus, honestidade, respeito à vida, à liberdade, ao patrimônio do homem de bem. Defende que a realização individual, familiar e social desses valores é capazde construir uma verdadeira democracia política e jurídica, na qual cada homem vale pelo que é capaz de fazer de si.” Inspirador pra sua audiência nas redes sociais, e principalmente por sua prática de minar e solapar movimentos sociais e o debate aberto, o meio pastor procurador concursado foi logo pinçado pelo companheiro de causa política Augusto Aras, o Procurador Geral da República, para chefiar a Secretaria de Direitos Humanos. Como mal comparecia às sessões dessa instância do MPF e por ter sido logo extinta por Aras em reestruturação da instituição, Ailton Benedito resolveu desde o início considerar a Pandemia como uma chance de se aliar ao mais forte, ao inimigo invisível: o Corona Virus. Aí as coisas já se complicam e embaralham seus argumentos. Sem perceber ou sem ligar pra tal, acabou entrando na batalha ajudando a China comunista no seu plano de dominação do mundo; isso, claro, segundo cavernosa teoria a qual também adere. “E daí, né?”. Partiu imediatamente para abrir os corpos para o abraço invisível da doença. Optou pelo diversionismo presente na defesa arbitrada da cloroquina e outras drogas semelhantes para o tratamento precoce, com base no Artigo 5º da Constituição; isto é, insistindo em defender obliquamente o uso de drogas que vários estudos clínicos comprovaram, até o momento, serem ineficazes para tratamento precoce ou preventivo da COVI 19. Talvez a condenação televisionada da ANVISA para uma audiência de mais de 400 mil pessoas contra os curandeiros serviu pra desentortar o pensamento de ferro oxidado. Não bastasse essa prática sistemática de aliado do vírus e, pela insistência no erro, já cúmplice da política genocida do seu chefe ( não o Aras; mas, sim, Bolsonaro e Olavo de Carvalho), somamse também ações contrárias ou questionadoras do isolamento social, contenção pessoal e distanciamento seguro de pessoas, únicos meios comprovadamente eficazes e não farmacêuticos ou medicamentosos. O paladino da liberdade no Twitter e Blogs já se autodenominou um dia como a materizalizão em pessoa do Artigo 5º da Constituição, em uma entrevista jornalística. Fosse antes isso só delírio que em si descansasse ! Estendeu a guerra a favor do vírus, isto é, a favor de Bolsonaro, também para o campo do negacionismo e reiteradas ações contra entidades de pesquisa nacionais e internacionais. Ricocheteando-se entre postagens na Internet ( na liberdade débil de cidadãoprocurador) e suas canetadas de gabinete(liberdade forte de procurador-cidadão), cresceu imensamente e inflou com bobagens e pompa muita gente. O privilegiado dilema de cisão das liberdades, dilema autoimposto e impostura, se resolveria com a simples lembrança de que como membro do MP é membro de um órgão permanente com atribuições bem definidas. O argumento básico e falacioso sobre o qual se equilibra e dribla é o da liberdade do indivíduo garantida na Carta Magna, o direito a saúde e à vida, na autoridade e confiança da relação paciente-médico no tratamento. O manobrar de conveniência sobre esses direitos torna-se falso, e corrompe esses direitos fundamentais de suma e inegável importância. Mas ele mesmo põe aí os limites e os evapora sob a aparência de os defender. Direito à vida e a liberdade se exerce enchendo rabo de cloroquina, hidroxicloroquina, annita e toda sorte de medicamentos blacebários contra o mal , tudo catapultado pela mola mestra do seu peculiar e letal conceito de liberdade. Liberdade segundo a comunidade GLO. Na sua última mas não derradeira performance, recaiu, como de costume, no ridículo imposto por sua lógica rastejante mas teimosa. Dirigiu ofícios à Sociedade Brasileira de Infectologia, a SBI, solicitando documentos de estudos que comprovassem que a cloroquina não tem eficácia em tratamento precoce contra COVID 19! Na mesma orientação dos que exigem uma vacina 100% segura contra uma doença que eles próprios negam ser letal ou realmente ameaçadora! É a irritante fake da “gripezinha” ainda em vigor. Mas a imbecilidade perniciosa se deleita nisso.Para moscas que o seguem aos cachos é odor irresistível do obscurantismo. Mas há pausas breves na idiotia olorosa dos GLOs. Flagrante, débil e cruel coerência. Por exemplo, ele insinua conflitos de interesses de pessoas da SBI, ou dos fins da SBI, com os de fabricantes de vacinas e laboratórios, que estariam supostamente obstruindo ou desviando pessoas do uso da cloroquina e similares para engordar lucros de produtores de drogas alternativas e ainda se valorizando em estudos ou no simples atraso do reconhecimento que exige pra seus coquetéis de cloroquina. Quanto a tais interesses, aparentemente não há indícios ou provas contra a SBI até o momento. Porém, sobre a evidência inegável de conflito de atribuições do MPF com os interesses de sua campanha e ativismo em favor da política desastrosa e assassina do Governo Federal o excelso membro se esquiva na certeza do seu erro enfezado. E aí, vejamos o lapso de coerência possível referido, ele talvez tenha razão se pensarmos na essência da comunidade GLO e seus fins últimos na época da praga. Ele assume função não explícita de agente autorizado do Estado, do Estado como monopólio da violência, afinal tem e é a procuração em si para tal. De modo que cumpre seu papel: garantir que a reprodução do sistema economicamente não sofra diminuição ou descontinuidade, ainda que para isso milhares de vidas se percam em nome da liberdade individual e dos homens de bem. Mas em se reproduzindo, igualmente reproduz os valores morais e éticos cambaleantes de sua crença. Os atos nocivos desse graduado servidor público, repletos de tortuosos ganchos legais, na era da pandemia são unilaterais evidentemente, por convenientes e políticos. Sua compreensão de indivíduo e de vida é visivelmente cega ao continente de tudo que é a vida social e coletiva, as quais o contém e da qual ele é indissociável. A menos que o homem de bem de Ailton, essa parte especial e seleta da sociedade da qual é advogado e procurador de individualidades, seja algo diverso dos demais homens enquanto pessoas e sujeitos de Direito. Até quando isso perdura? O que permite a um Procurador da República se manter na contramão dos fatos e investindo a socos contra cientistas e resultados de robustas pesquisas? O que permite ao monstro também ser médico-charlatão impunemente? Até quando um agente político da importância e com as prerrogativas de um membro desse órgão pode prescrever cloroquina com a caneta do MP e ao mesmo tempo correr para as redes sociais para ser aclamado ? Esperar atitude interna espontânea é uma ilusão, porque impera ali a liga do silêncio corporativo do estamento, dos privilégios. Não tenho dúvidas de que um dos pivôs dessa situação é a vitaliciedade dos magistrados, que abrange os procuradores e promotores e lhes dá o conforto que ampara o uso político e contrário às suas próprias atribuições nesses casos e situações específicas; assim como a falta de regulamentação da autonomia funcional dos membros do MP em limites mais claros contra sua omissão opcional ou a proatividade negativa. Esse cargo e essa função não lhes pertence no fundo.

Teo Castro

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