luiz augusto passos

Professor sério se angustia com a opção dos bispos católicos romanos diante do impasse entre os poderosos e os pobres

Luiz  Augusto Passos não é um qualquer a opinar sem base e seriedade sobre a catastrófica divisão do mundo hoje. Ele é  graduado em Teologia pelo Colégio Máximo Cristo Rei (1974), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (1990), doutorado em Educação (Currículo) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e doutorado em Doutorado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (1997). Atualmente é auxiliar da Universidade Federal de Mato Grosso, professor voluntário da Universidade Federal de Mato Grosso, voluntário membro do núcleo permanente/ppge do Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais e Educação e professor do Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais e Educação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Popular, atuando principalmente nos seguintes temas: educação e movimentos sociais, movimentos sociais e educação, fenomenologia merleaupontyana, educação popular freireana e antropologia educacional.

A partir desta vasta formação, articulado no diálogo fecundo com os movimentos sociais e ativo numa universidade pública ameaçada pelo fascismo que odeia a educação e a pesquisa, Luiz Augusto Passos questiona através de artigo postado em sua conta no Facebook sobre qual dos caminhos seguirá a Conferência Nacional dos Bispos  do Brasil da Igreja Católica Romana.

De um lado,  a CNBB alimenta-se de uma vertente séria que vem do compromisso radicalizado em pastorais sociais ativa na luta com os trabalhadores e com os pobres. Nessa perspectiva se alinha o próprio Papa Francisco com seus freqüentes posicionamentos a favor dos refugiados das guerras do imperialismo,  de suas visitas aos países mais brutalmente saqueados pela monstruosidade e desumana ganância dos poderosos, sempre dispostos a despejar bombas mortais sobre os países ricos de matérias primas e pobres de equidade econômica.

De outro lado, a adesão de bispos e cardeiais com suas TVs, rádios, universidades, paróquias, dioceses e arquidioceses ao poderio do mercado ganancioso, concentrador de riquezas e de renda. O mesmo que usa o dinheiro roubado dos trabalhadores para comprar golpes de Estado e manipular eleições.

No primeiro caminho a fila de milhões de pobres e de vítimas do neoliberalismo que se apossa de parte da Igreja Católica Romana, das outras igrejas, de religiões várias e manipula as consciências.

No segundo, o rumo dos poderosos que traçam a agenda do mundo em torno do suborno das riquezas e da ameaça à ecologia, agredindo o planeta e a consciência do próprio Papa Francisco, herdeiro do projeto de Jesus e de São Francisco de Assis.

Eis o impasse dolorosamente dividido da CNBB, do Brasil e do mundo.

O professor Luiz Augusto Passos ecoa os mesmos gritos do Cartas Proféticas. Ele como católico romano,  teólogo e educador e este portal como profeta que grita aconfessionalmente contra as injustiças e barbáries impostas pelo imperialismo internacional, que compra traidores e escraviza os povos.

Leia abaixo o texto angustiado e profético do professor Luiz Augusto Passos.

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A CNBB: ONDE FICARÁ O CORAÇÃO DELA EM UM MUNDO DIVIDIDO?

Luiz Augusto Passos

Escrevo, neste momento, em meio a certa agonia…
Não é apenas uma Igreja dividida, é também uma Igreja voltada à misericórdia com os oprimidos, e outra que se poria em silenciamento, no regresso às questões internas, desencorajada em um mundo político em ruína. Essa, no entanto, poderia abrir espaços, nos quais as negociações, diminuiriam a força da presença nas causas diretas dos oprimidos, e acabaria por refletir em isentar-se na guerra aberta, e nos telhados, contra a agenda de Francisco, que foi escolhido por sua agenda inter religiosa e ao mesmo tempo, de suplicar aos promotores da violência, à degradação que acelera a morte do planeta, e o risco de uma guerra nuclear planetária.

E, de maneira indireta conduzir, por dentro da própria Igreja a escolha de todos os que propõem  uma agenda neoliberal, com extermínio dos pobres, migrantes, mulheres, negros e negras, crianças, mencionada desde as cartas abertas no extraordinário Dossier, grandemente desconhecido: “Trilateral: a nova fase do capitalismo” cujos autores principais, foram Hugo Assmann, Theotonio dos Santos, Noam Chomsky (Petrópolis: VOZES, 1982). Somente, agora, quando aquilo que estava no horizonte daqueles anos, pode ser alcançado, a ponto de haver uma guerra mundial, articulada pelos mesmos países, acrescida da ascensão dos países asiáticos, repõem o inimaginável, que o Cristianismo, cuja vítima principal sacrificial Jesus Cristo é vendido por 30 moedas, sem seu sacrifício pela abolição de todos os sacrifícios é hoje, contemporaneamente, outra vez, odiado e perseguido à morte, em nome do mesmo “Deus” retomando a profecia viva de Dostoievsky, no impressionante filme: “O Grande Inquisidor”, em busca do controle da terra, do poder e do dinheiro.

As denúncias e causas mesma de Jesus, são também as denúncias, causas, de Francisco, e pelas quais se promove entre Igrejas, também a Católica, mas as outras cristãs, cujos fiéis, servidores, presbíteros, e membros da hierarquia se associam à thanatopolítica de hoje, na qual tudo tem preço, na negociação presente desde o concílio de Trento, com a entrega à morte do filósofo Giordano Bruno.

O que causa preocupação não somente aqueles membros das igrejas, é que a Agenda de Francisco era a mesma agenda de Jesus: o Cristo. Em busca de prolongar a vida na terra para todos e todas, sem exceção de todos os outros seres vivos, de quaisquer naturezas. Agenda reiterada por Francisco de Assis.

Qual será o passo que a CNBB, feita por pessoas com uma formação sofisticada filosófico-teológica, fará, no cabo de guerra erguido entre dois paradigmas de Igreja, para onde ela irá?

E, o que significará para os esforços do atual papa, essa eleição, quando a hora do planeta, da Amazônia, da Guerra, do renascer de raízes autoritárias e fascistas, também, tomam por dentro, e se expressam, de maneira frívola, como em todos os sistema global, com um princípio imoral: “tudo é valido para se conquistar e manter o poder”. Infelizmente, as teologias da salvação individual, e seu ‘casamento’ com a prosperidade, já não tem de qualquer outro/outra uma condição de irmão, mas de infiel, um sujeito de disputa, que poderá ver a ocupar a vaga do justo… dos previamente assinalados… Mas, há mais, o sistema capitalista e a acumulação cujo paradigma de lógica, já havia sido denunciado por Jesus: Deus ou o Dinheiro. O paradigma posto por Jesus, por sobre o Templo concreto de Jerusalém, não era do não acesso aos bens, mas a que preço?: A condição hoje de MERCADO, e que Jesus aponta no Templo de Jerusalém.. “um covil de ladrões e não a casa do Pai”. Mas há mais perversidade na área: Tudo tem preço, então se pagou, posso executar o serviço, mesmo aquele de destruir a nação, a previdência, ou morte de pessoas, para abrirem caminhos da posse absoluta inconteste, daqueles e daquelas que foram silenciados.

É hora,urgente de compreender que o Papa Francisco é, em nível global, a pessoa não substituível, de fato, pois, trouxe consigo a sabedoria, a experiência, a dimensão do carinho, do respeito, do cotidiano, de qualquer outro cidadão e cidadã, do universo que…sabe que não precisamos senão calor humano, respeito, carinho pelas pessoas e saber que somos pessoas vulneráveis, como todas as outras pessoas no universo.

O Papa Francisco aprendeu, talvez da tradição argentina, na qual muitas vezes as pessoas da hierarquia pareciam príncipes inacessíveis. Francisco, aprendeu, e fez diferente, nem mesmo sua condição de Papa viesse construir um muro que não tivesse presente sua condição, de qualquer outra pessoa humana, a de pessoa de bem mas ao mesmo tempo, aquilo que aprendeu dos jesuítas, na sua formação com eles… – “saber-se pecador…”

Ao aparecer como Papa na benção à cidade e ao Orbe de toda a terra, deu a benção dentro do protocolo simples, e imediatamente, disse: “Buon pranzo!”. Não era um ser do INFINITO, também desejava para a fome das pessoas, e a dele incluído, “Um bom almoço!”. Algo trivial, de boa educação, que nenhum outro Papa teve a coragem de chamar à realidade do tempo presente, concreto.

Esperamos todos nós, – estou torcendo – para que a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, reflita sobre o seu papel fundamental diretamente vinculado à gangorra internacional… Paz ou Guerra! Paradigma que, para os seguidores do Evangelho, não pode haver dúvida, do que escolher.

As questões planetárias, dos mais sofridos e maltratados, dos errantes, e sem pátria, o aumento dos sem teto, sem chão, sem território, exige, para ser fiel à missão de Jesus de Nazaré, o Cristo. que o caminho traçado pelo FRANCISCO,. e acolhido pela grande maioria da humanidade, com fome, e emoção, em face dos processos autoritários, destrutivos, não podem, na caminhada destas duas décadas regredirem, para a igreja voltar-se ao seu umbigo, ao clericalismo, às formas de abandono outra vez, das grandes massas a que hoje ela tem, no rosto e agenda de Francisco o paradigma sonhado e desejado de dar mais vida ao planeta e mais vida a todos e todas…

“E toda diversidade, particularismos, etnias, passa a ser considerada como uma forma pré-civilizatória, atrasada, inferior e menor do que aquela proposta. E a civilização deste novo império representará um centro da razoabilidade e de nomização e ordenamento contra a barbárie estrangeira, étnica e o caos, submetidos, razoável e providencialmente, a uma ordem de princípio único de autoridade e legítima.” PASSOS, L. A. 2003: p.272 ).

Há, contudo, uma grande ala da Igreja Católica, em todos os países, comprometida, com o que se poderia chamar, de tendência regressiva e conservadora. Ministros, sacerdotes, bispos, arcebispos e cardeais, mas também “Movimentos” e por vezes também algumas chamadas “Pastorais” com saudades da falsa “Idade Média”, pois ela não era obscura, nem atrasada…. Mas, infelizmente, uma historiografia perversa, que não se preza pela verdade, pixou a Idade Média, sobretudo a partir dos historiadores das chamadas “LUZES”, que tenebrosamente roubaram todas as grandes descobertas, conhecimentos, bibliotecas, livros de ciências, livros de filosofia sérios, – o mesmo que os gregos fizeram com o sequestro da cultura do Egípcio, como se fosse a Filosofia deles -, dizendo que só existiram após a Revolução Inglesa e Francesa.

Todos os tratados de história, que se prezem pela verdade, sabem que o que houve pelos também uma tendência conservadora, e de saudades dos tempos imperiais, nos quais a TIARA do Papa, e o realce do Pontífice aos “Estados Políticos”, o “Papa como o Senhor dos senhores”  na forma de sua configuração trentina, fazia do pontífice muito mais um CHEFE DE ESTADO do que um Pastor. Retomando, então, uma relação promíscua com as formas dos Estados, então.

Temos todos e todas na memória, o Papa, que ao vir no Brasil, realiza a revista das tropas militares nacionais, revestido de sua condição de ‘Chefe do Estado’ – Vaticano – de certa forma, disputando, de certa forma a hegemonia em curso, para realizar o bem político entre as nações.

Felizmente, alguns Papas, entre eles João XXIII, João Paulo I, Francisco, trouxeram em seu coração a escolha, em um mundo dividido, entre o poder pela hierarquia, o serviço de se inclinar no mesmo gesto de Jesus…. “Os Chefes das Nações disputam… entre vós, não será assim, quem quiser ser o primeiro, terá que servir…”

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