quanto vale um professor

Quanto vale um professor?

” É preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une. ” ( Edgar Morin ).

Com o início do ano letivo aproximando-se, a pergunta que nomeia esse artigo não me sai da cabeça. Sobretudo por que a utilizo no primeiro contato com as turmas na qual ministro minhas aulas. Dirijo esta pergunta a você caro leitor: Quanto vale um professor?

As respostas são variadas, já cheguei até mesmo a ouvir de um aluno que para ele um professor não vale nada. Porém nesses anos de docência já ouvi respostas motivadoras. Daquelas que aliviam a dor e o menosprezo com essa profissão no Brasil.

A palavra valorização vem de valor que tem sua raiz etmologica ligada ao Latim Valere, que quer dizer “apresentar boa saúde, ser forte”. De fato no Brasil o professor antes de tudo deve ser um forte.

E os números corroboram com isto. Segundo a OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o educador brasileiro trabalha muito e recebe menos do que seus colegas de outros países. A média salarial do professor de educação básica no país é de US$ 12.337 por ano. Enquanto em outras nações esse valor corresponde ao dobro, sendo aproximadamente US$ 28.700. A pesquisa envolveu 46 países e vários continentes e atesta uma máxima conhecida por todos, professor no Brasil ganha mal e trabalha muito.

Convivemos com salas de aula lotadas, quase nenhum recurso pedagógico para além do giz e do quadro negro, jornadas duplas, triplas e até quádruplas, muitas cobranças e pouca valorização. Valorização essa palavra tão presente na boca dos políticos em momento de campanha eleitoral, porém desaparecida após a euforia das urnas. Como podemos imaginar, ousar a pensar numa educação de qualidade se mal damos valor aquele que tem o dever de ensinar? Como pensar em ser uma nação desenvolvida se aquele que deveria guiar esse processo se quer é valorizado?

R$ 2.455,35 esse é o valor do novo piso nacional docente. O valor é irrisório diante dos  R$ 4.253,00 de auxilio moradia dos deputados federais, dinheiro que o deputado Bolsonaro disse que usou o valor para “comer gente”.

Piso esse que apesar de ser garantido por Lei Federal nem sequer é cumprido na sua integralidade em todo o país. O piso constitui um grande avanço na política de valorização docente. Entretanto é preciso dizer que é pouco. É pouquíssimo. Temos um passivo educacional enorme. Que demandará tempo e políticas públicas que tratem a educação como política de Estado e não de governo. É o que esperamos dos gestores municipais. Aperfeiçoem o que já deu certo, corrijam o que está errado. A educação não precisa de salvadores, nem de pessoas que queiram reinventar a roda. Todos sabem quais são os problemas da educação brasileira. Todos apresentam soluções, todavia ninguém ouve o professor. Ninguém pergunta ao educador o que ele quer.

Mas é preciso dizer que a educação não deve ser tratada como segmento, como se fosse uma questão discutida apenas por professores. A educação deve ser assunto de todos. Afinal, se um professor vale muito, como esperar que esse profissional exerça um bom trabalho se ele é mal remunerado? Se esta desmotivado e cansado? Se para ganhar um salário digno tem que se matar de trabalhar?

União, nós educadores precisamos de união. Além de não tratarmos a educação como segmento, cabe a nós educadores unirmo-nos. Buscar a unidade enquanto classe social. Acredito que assim conseguiremos avançar nas conquistas e garantir uma educação de qualidade social para todos, e não se iludam qualidade na educação começa com o professor valorizado. Nossa primeira luta passa pela garantida incondicional da Lei do Piso, que ela seja cumprida em cada município, em cada estado desse país. E para que isso aconteça a palavra de ordem é “Professores de todo o país unir-vos”

*Edergênio Vieira é poeta e educador na Rede Municipal de Ensino de Anápolis


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