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Quem matou Paulo Henrique Amorim e a negação do jornalismo “bom mocista”

Caríssimo  amigo bancário Luiz Celso  Ferreira dos Santos, de Xapuri, AC

Não há vocação que se afirme senão se enraizar, vincar  coletivos e até com as massas, com o povão.

Da mesma forma como somos milhões de técnicos e de jogadores de futebol  também na mesma proporção agimos como jornalistas e outras profissões.

O jornalismo não “bom mocista” tem vínculos profundos nos arquétipos inconscientes do profetismo antigo.

Claro que havia falsos profetas, aqueles que se diziam imparciais, no fundo coniventes com a opressão econômica, que nada denunciavam, limitando-se a  oráculos religiosos, nada contestadores,  acomodados  à situação, feita de covardia e de aproveitadores, enquanto os injustiçados gemiam sob as pancadas desumanizantes dos ocupantes do poder. Mas esses profetas “bons moços” sumiram na borrasca dos alienados e apáticos oportunistas, sem pistas e sem integrarem os arquivos vivos dos profetas e da história.

Entre os jornalistas do cotidiano, atalaias  da realidade, está  o senhor meu amigo, Luiz Celso.

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O amigo parece que não dorme nunca,  sempre atento aos fatos de uma sociedade que, segundo frase em seu aplicativo,  “ser cidadão … não é viver em sociedade, mas transformar a sociedade em que se vive!  A cabeça nas alturas e os pés no chão”.

É com o ímpeto de quem carrega a cidadania na consciência e não no consumo que o amigo foi o primeiro a me noticiar a morte do jornalista e profeta não bom moço Paulo Henrique Amorim.

Ser jornalista, como os profetas do povo, é chocar, é agir sob o impacto dos fatos, por mais dolorosos que sejam. Foi esse impacto que o amigo me causou ao me anunciar a morte do jornalista irônico e perspicaz. Doeu-me  saber da morte do crítico e irreverente com os golpistas, medíocres e delinqüentes políticos.

Num contexto de gestos de armas, de fundamentalismo, de impressionante lista de mortos por problemas cardíacos e depressão, Paulo Henrique Amorim é mais uma vítima do ódio.

As mortes têm causas. Há os bons moços que morrem anonimamente sem provocar o inimigo e sem denunciá-lo ao povo. Esses morrem vivos. E há os que denunciam, que instigam, que ridicularizam os delinqüentes e idiotas inúteis, desnudando-os sem nunca tergiversarem com eles e de negociarem a honra nem de atenuarem a verdade de suas transgressões da justiça e do bem, mesmo que a angústia e a dor sejam seus cardápios cotidianos. Esses,  mesmos fulminados pela morte causada pelo contexto assassino, não morrem nunca. Suas falências orgânicas são transcendidas pela honradez do compromisso da luta e da verdade, sempre vocacionalmente expostas.

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Assim viveu Paulo Henrique Amorim. Assim seu coração parou de bater. Mas assim seu exemplo o faz viver para sempre, não como parte de um arquivo num canto de um museu, mas da galeria dos que denunciaram, dos que levantaram bandeiras e dos que escavaram os monturos sujos do cotidiano para encontrar a verdade e denunciar destemidamente os crápulas, inimigos do Brasil, do povo e da sociedade, que precisa ser transformada sob o bafejo das denúncias proféticas.

De sua voz e de seus dedos se ergueram ironicamente, como irônicas são as pessoas inteligentes, sábias e comprometidas com a verdade,  denunciando  corretamente Sérgio Moro como traidor da Pária e  corvo putrefato a matar a alma nacional. No seu último vídeo Paulo juntou o imbecil inútil Jair Bolsonaro ao sanguinário ditador fascista Emílio Garastazzu Médice, usando o futebol da Seleção Brasileira para se promover e esconder o sangue de suas mãos assassinas a mesquinhez política.

Não tenho dúvidas, meu caro amigo Luiz Celso, que Paulo Henrique Amorim é mais uma última vítima do ódio feito traição à Pátria e golpe contra a soberania nacional e a justiça social, ainda que pálida nesses poucos anos da social democracia dita de esquerda.

O fato de mover ação na Comissão de Direitos Humanos da ONU denunciando  cerceamento  ao seu direito à liberdade de expressão é suficiente para mostrar o inconformismo com sua remoção do programa Domingo Espetacular, que ajudou a criar na Record, e a consciência de ser perseguido pela intolerância fundamentalista.

No contexto marcado pelas armas como símbolos de governo, embaladas pela mediocridade e pelo fundamentalismo, é certo que o charlatanismo que se nutre com muito dinheiro provindo da exploração da saúde popular e com o curandeirismo associado às drogas do mercado, Paulo Henrique Amorim foi assassinado pela insanidade que grita pela transformação da sociedade.

Ousar lutar e ousar vencer são marcas do povo em marcha. Venceremos!

Abraços críticos e fraternos,

Dom Orvandil.

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