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Racismo e Segurança Pública: A polícia que mais mata é a que mais morre

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 Edergênio Negreiros Vieira*

A divulgação dos números do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública versão 2020, deveria ser um documento que todo/a candidato/a, a prefeito/a e vereador/a no Brasil teria a obrigação de ler. Todo/a gestor/a, todos/as postulantes ao parlamento municipal e ao executivo deveriam analisar os números dessa pesquisa, que se baseia em informações fornecidas pelas próprias secretarias de segurança pública estaduais, pelo Tesouro Nacional, polícias civis, militares e federal, entre outras fontes de segurança pública.

Mas por que esses/as agentes públicos deveriam ler essa pesquisa? Para entender o que é necropolítica e racismo estrutural para além da conceitualização acadêmica; que muitas das vezes por ser uma linguagem mais complexa, dificulta que esses/as agentes públicos compreendam o que os/as pesquisadores/as querem dizem.

Por meio do anuário é possível perceber que o racismo brasileiro, não apenas excluí mais da metade da população brasileira, ao direito à cidadania plena. O racismo estrutural brasileiro mata, dizima, violenta, extermina milhões de pessoas negras nos 26 estados e no Distrito Federal. Mas antes de apresentar alguns números é preciso dizer que o racismo estrutural não mata, no estado, ou na União. O racismo estrutural mata no município, ou mais especificamente na sede administrativa do município, ou seja, nas cidades.

São homens, negros, jovens e pobres que mais morrem por morte violenta no Brasil. 74, 3% das pessoas que morreram pelas mãos da polícia no Brasil em 2019, eram jovens com no máximo 29 anos. 79,1% eram negros, e 99,2% eram homens. Homens que deixaram mães, filhos e filhas, que irão na maioria dos casos completar o circulo vicioso, patrocinado pelo Estado brasileiro, que promove um extermínio a corpos negros desde o período colonial.

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A polícia que mais mata é também a que mais morre. Porém mesmo dentro da polícia quem mais morre são os pretos. A maioria dos policiais assassinados no Brasil eram pretos ou pardos (65%). Na prática o que o país faz é colocar pretos armados com fardas, para guerrear contra pretos favelados também armados, numa guerra onde todos são vítimas da herança escravocrata, colonialista e racista que naturaliza a morte de homens pretos e pobres. A PM na verdade não deveria se chamar Polícia Militar, e sim Preto Morto, expondo assim o racismo estrutural que essa instituição carrega desde 1825, quando foi fundada no dia 17 de fevereiro, no estado da Bahia, tendo como principal objetivo matar os pretos comandados por Zeferina no Quilombo do Urubu. Mas isso já é assunto para outro texto.

*É professor, mestrando em Educação, Linguagens e Tecnologias. Colunista do Cartas Proféticas. 

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