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Racismo e xenofobia no maior estado negro do Brasil enquanto celebridades festejam na Bahia inundada

Além de escandalosa e vergonhosa, além de revelar a pilha de lixo e de atraso que habita a alma de patrões e de trabalhadores ao ofenderem a honra e a dignidade de um irmão que entrou para comprar na loja Zara no Shopping da Bahia, o cinismo desse processo é marca do próprio mercado, que centra o valor nos lucros e na concentração de renda e não nas pessoas.

Segundo Luís Fernandes Júnior, que é africano, originário de Guiné-Bissau, morando na Bahia há sete anos,  comprou mochila na loja, pagou e, conforme a notícia, mostrou comprovante.

A despeito de todo o processo comercial de compra e pagamento, Luis foi importunado quando se encontrava no banheiro masculino,  urinando. Na maldita oportunidade ouviu a voz de um segurança que lhe falou coisas que pareciam não lhe fazer sentido, por isso imaginou que não eram dirigidas a ele. “Quando estava de pé, urinando, o segurança entrou e começou a gritar comigo”, contou Luis numa entrevista.

O desrespeito se incorporou no discurso mais objetivo nas acusações feitas pelo truculento segurança: ‘eu quero que você devolva agora a mochila que você roubou na loja da Zara’. “Eu respondi que tinha comprado a mochila e ainda falei que tinha o comprovante, mas ele não quis ouvir e insistiu para que eu devolvesse”, narrou o africano.

Após o atendente responder a pergunta de Luis sobre a quem pertencia a bolsa, o segurança, sem jeito, insistiu em segurá-la sem entrega-la ao seu comprador. “Mesmo assim, ele ficou com a minha mochila na mão e saiu andando com ela. Eu estava bastante nervoso e chamei ele de racista. Questionei: ‘Só por que eu sou negro, não tenho o direito de comprar o que eu quiser?’”

O episódio definido por Luis Fernandes Júnior como racismo é a violenta demonstração de discriminação por parte da loja Zara, de seus proprietários e, mais grave ainda, por vir de um trabalhador.

Shoppings, supermercados, ruas, metrôs, praças  e outros ambientes têm sido locais de exibição de racismo. Esta praga é originária da escravidão, que não foi criada por negros, negras, quilombolas e indígenas, mas por brancos proprietários e escravocratas.

A contradição se torna contundente no racismo veiculado e extremado por um trabalhador, como foi o caso de segurança. Quem é ele? Dono de qual meio de produção é? De nenhum, mas age como patrão, como a casta a galope em sua cruel humilhação de negros e de negras, simplesmente por causa da pigmentação de sua pele. A desgraça é tão horripilante ao ponto de o infeliz perseguir o nosso irmão africano no interior de um banheiro, em atitude típica dos carrascos, sem respeito a nada nem mesmo à privacidade exigida no ato íntimo do ato de urinar.

A discriminação em forma de racismo e xenofobia é tão mais avassaladora nos trabalhadores, completamente dominados pelo chip ideológico implantado pela burguesia no mais profundo de suas almas, achincalhado sua consciência de classe e sua fraternidade com os iguais.

Essa exclusão violenta tem respaldo na parasitagem da burguesia apodrecida em festa na Bahia em plena enchente, com o sacrífico de mais de uma centena de municípios, de quase 30 mortes e 600 mil pessoas desabrigadas.

Noutra notícia um fato ocorrido no mesmo estado atacado pelo racismo e pela xenofobia, o  mais negro e pobre do Brasil,  com escandalosa farra por “…famosos [que] ostentam em festas milionárias na Bahia”, diz a manchete da matéria.

 “Entre as cidades em emergência que recebia pacientes feridos de estados mais atingidos, estava Porto Seguro. Só que isso não parece ter feito com que a maioria dos famosos e ricos mudassem seus planos de Réveillon. Caio Castro, Nati Vozza, Gabigol, MC Rebecca são algumas das celebridades que vão celebrar a virada de ano no estado, apesar do estado de calamidade. A distopia encenada pelos influenciadores em terras baianas ensaia, agora, seu terceiro capítulo”, escreveu a jornalista  Nina Lemos em sua coluna no Uol.

Para dondocas e machões burgueses, mais vazios do que toneis após ocorrência de guerras, são agentes promotores de futilidades, de bobagens, sempre guardados por seguranças estúpidos, brutamontes e racistas inconscientes. Os patrões do segurança da loja Zara integram esse mundo desumano e socialmente desqualificado, muito semelhante à estupidez dos pernósticos festeiros, alheios ao sofrimento do estado atingido por enorme calamidade. Tem razão a jornalista Nina quando escreveu que “na tarde de quarta-feira, enquanto parte do estado estava debaixo d’água, influenciadores  sorriam e exibiam looks do dia no Instagram. Alguns até faziam piada. Caso da influenciadora Nati Vozza que chegou de jatinho e postou uma foto da janela do avião: “lá em cima estava sol, mas tudo é uma questão de perspectiva”, escreveu. Como? Ela não percebeu que estava rindo da desgraça de pessoas que perderam tudo que tinham? Talvez não. Mas um dia após ter feito a piada ela já estava postando foto fazendo brinde com cerveja na praia”.

Esse é o mundo bichado e mal cheiroso, o mesmo que paga mal e ainda enche mentes, como a do segurança racista e xenófobo, de discriminação, de prepotência e de desrespeito.

Este sistema é que o que determina a miséria, a injustiça e o ódio no nosso país. Ele será colocado abaixo, com seus deboches,  com a desgraça dos pobres , com suas humilhações e seminação da ideologia que despersonaliza pessoas como o segurança desumano da loja Zara.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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