nota de repúdio

Rebelião de católicos romanos contra o golpe vampiresco: “Nota de repúdio à intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro”

Na quarta feira de cinzas os bispos que lideram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – lançaram em Brasília a Campanha da Fraternidade de 2018 .

O contraditório do evento da campanha que leva como tema “Fraternidade e superação da violência”, e até afrontando-a, a direção da CNBB convidou a ministra do Supremo Tribunal Federal golpista, a senhora Carmem Lúcia,  a sentar-se à mesa para o lançamento de um projeto que denuncia os presídios superlotados de pobres, negros, jovens e ex trabalhadores enganados pelo capitalismo consumista e inimigo da vida.

Na contra mão da CNBB, omissa às injustiças e ao golpe vampiresco que desgraçã os pobres no uso do Exérctio Brasileiro para constranger e humilhar os moradores das favelas do Rio de Janeiro,  organizações católicas romanas de São Paulo denunicam a intervenção militar.

Leia a nota de repúdio abaixo e logo a seguir o video que comenta essa rebelição profética.

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Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarreigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão.

(Papa Francisco – Evangeli Gaudium n.59)      

Neste período quaresmal, as comunidades católicas do Brasil lançam a Campanha da Fraternidade 2018 com o grito profético pela “Fraternidade e superação da violência”. Somos, portanto, convocados a cerrar fileiras com todos os que defendem a construção democrática da segurança pública, em total oposição à estarrecedora decisão do Governo Federal de intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro.

Diz o decreto: “O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no estado do Rio de Janeiro”. A decisão é somente para combater aquilo que a mídia chama de “guerra do tráfico” e “onda de violência”. Se compararmos os dados da violência no Brasil, conforme afirma a Professora Jaqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF): “desde 92 o Exército vem fazendo operações midiáticas nas comunidades e nunca divulgou qualquer relatório sobre os resultados. Sabe-se apenas que uma das operações na favela da Maré teve um custo de 300 milhões. Mas e o resultado? O que se conseguiu com essas operações? O governo não presta contas”.

O pacto da mídia com o governo e o festival pirotécnico do exército nas ruas confirmam a cultura da violência alastrada no país. Cultura essa marcada por construções simbólicas que visam impor explicações socialmente definitivas para fatos sociais fruto da violência. Conforme enfatiza o Texto Base da CF 2018, a “guerra ao tráfico”, localizada nas periferias das grandes cidades, ainda é guerra aos mais pobres, submetidos à violência de criminosos justamente pela história de omissão do Estado, que não provê para estas imensas periferias a garantia de direitos humanos básicos.

Cientes da urgência em se criar uma agenda de segurança pública para superar a triste realidade da violência estrutural do nosso país, alertamos para alguns elementos presentes no texto base da CF/2018:

– A militarização da política: decisões políticas de cunho militarizado, onde se produziu no Brasil um encarceramento massivo, um genocídio de jovens negros comparado à números de guerra, colocando o país na contramão da superação da violência pela ressocialização das pessoas.

– A omissão do poder público em imensas e populosas regiões do país submete seus moradores à violência cotidiana de grupos armados, ao tráfico de drogas e à desordem social (Texto Base 31).

– A desigualdade econômica resultante de políticas que precarizam o trabalho e reduzem salários, limitam o orçamento de áreas prioritárias para bem estar da população, impõem severas restrições ao atendimento social dos pobres é a grande violência institucional que as elites exercem contra a vida digna para todos e todas, em nosso país. (Texto Base 70).

Cientes de que uma ação para superação da violência passará pela redução das condições de exclusão dos mais pobres e rezando exigimos:

  1. A imediata revogação do decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro.
  2. A institucionalização de uma consulta democrática, acompanhada de fóruns e de pesquisadores em conjunto com a população, de modo a construir os rumos de uma sociedade que supere a violência pela cultura democrática da fraternidade.

São Paulo, 20 de fevereiro de 2018

IPDM – Igreja Povo de Deus em Movimento.

Nós Somos a Igreja – São Paulo.

CLASP – Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo.

Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo

Pastoral da Educação do Regional Sul1 da CNBB

Rede de Escolas de Cidadania de São Paulo

Rede Igrejas e Mineração

Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo

Sociedade Santos Mártires

Fórum em defesa da vida Jardim Ângela.

Um comentário

  1. Na verdade, a instituição igreja católica sempre esteve ao lado dos poderosos. No Brasil, apoiou a escravidão, foi co-responsável pelo massacre de Canudos, sendo Artur Oscar, o general comandante do exército, recebido em palácio pelo arcebispo de Salvador e homenageado com Te Deum solene, apoiou o golpe de 64 e foi inteiramente omisso no de 2016. Nem uma palavra sequer contra as reformas, apoiadas pelo seus deputados no congresso. Criticam-se muito os neopentecostais - e com razão - mas a igreja católica, a meu ver, é a mais danosa, não só pelo seu poder como pela sua enorme rede de comunicação. É de pasmar que, ao completar 10 anos do assassinato de Dorothy Stang as emissoras de TV Católicas não tiveram uma palavra sequer em sua homenagem, o mesmo acontecendo no dia 16, aniversário de Dom Pedro Casaldáliga. Assistam este vídeo de um representante da Canção Nova para entender um pouco do que predomina nessa instituição hoje (https://www.youtube.com/watch?v=-sceosSbLlo)

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