Pinheiro-Salles

Renúncia ou impeachment?

Pinheiro Salles*

Parafraseando Vinícius de Moraes em sua Mensagem a Rubem Braga, peço que digam ao povo para assumir seu papel em defesa da democracia e da dignidade do nosso País. São nebulosos os tempos atuais e frágeis as perspectivas. Sufocados estamos por um retrocesso político sem precedentes. Jamais se presenciou tanta desmoralização das instituições, com predomínio da esquisofrenia e das iniciativas plenas de alucinações.

Lembrem ao povo que somos vítimas do deboche, do escárnio, do desrespeito mais aviltante, como se fôssemos uma manada de imbecis, sem o mínimo discernimento para qualquer atitude em legítima defesa da honra. E mais: como se ignorássemos os direitos dos homens e mulheres que constroem a riqueza do Brasil. Nesse curto período de trapalhadas, já se confirmou a incompetência do sarcástico e agressivo marionete que ocupa o Palácio do Planalto. Sem rumo definido, ele se perde entre preconceitos, paranóias, mentiras, fofocas, confusões e um ódio irracional.

Não se esqueçam de dizer ao sofrido povo brasileiro que a situação é muito grave, porque não se pode ficar nem correr, tendo à nossa frente um bicho disposto a nos pegar ou devorar. As bajulações às Forças Armadas pouco conseguem além de assegurar uma enviesada tolerância. Sabem os militares que, após a experiência de 21 anos da ditadura (1964-1985), não bastam seus oito ministros e um general na vice de um desnorteado capitão na Presidência da República.

Não deixem de dizer ao povo que o ministro da Economia é quem mais tenta infelicitar a nossa vida. Com a reforma da Previdência, ele quer inviabilizar a aposentadoria de quem trabalha, exigindo idade mínima de 62 anos para as mulheres e 65 para os homens, após 40 anos de contribuição. Quando fala no “rombo da Previdência”, nada diz dos 400 bilhões de isenção, 500 bilhões sonegados pelos ricos e dos 400 bilhões de juros que a Receita Federal abre mão por ano.

Mais de 60 mil pessoas são assassinadas anualmente. Mas o ex-xerife de Curitiba insiste em legalizar o crime, criando o direito de matar. Então, digam ainda ao nosso povo: o pai, os três filhos, a mulher, o motorista, os fantasmas dos gabinetes, os milicianos e laranjas mantêm uma promíscua relação que tudo permite, até a morte de Marielle. Por isso, tanto combatem a liberdade de imprensa. E agora, renúncia ou impeachment? Finalmente, digam ao povo que precisamos nos unir na construção das trincheiras de resistência e esperança. Ditadura nunca mais!

*Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás e vice-presidente da Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

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