Resistência e luta

Resistir e avançar na unidade é preciso

Caro amigo lutador Aurino das Neves

Agradeço por seu gesto solidário de constantemente visitar minha página no Facebook e de curtir as publicações que lá posto.

Visitei sua página e percebi que os gestos do amigo são coerentes com seu engajamento na luta.

Pois este blog, agora de cara nova e com proposta mais abrangente, esforça-se para pinçar lá no fundo da realidade os potenciais de luta que se fazem resistência, unidade e avanços contra o golpe de Estado no Brasil e a favor de projeto nacional e democrático consistente e prenhe de justiça social.

Frequentemente vejo pessoas se queixando da falta de espírito de luta em nosso povo e de fragilidade no campo da unidade no essencial para derrubarmos o golpe. Vejo pessoas desanimadas ao extremo, cujo desânimo as faz se queixarem dolorosamente.

Preocupado com esse descrédito procuro sinais, aliás, e os encontro abundantes, da luta e dos esforços que se espraiam socialmente e com muita indignação, embora a mídia dominante os esconda e a população composta de 80% que se informa somente pela mídia dominante e conservadora e 73% restringem-se à Rede Globo. Daí é difícil de formar e informar a opinião pública.

Ao atentar apenas à alguns indícios postados neste final de semana e nesta segunda feira aqui no blog, o amigo perceberá o quanto a resistência borbulha.

Ao clicar nas páginas “notícias” e “colunistas” acessará e se arrepiará com belíssimos sinais de uma erupção que amadurece em aparente silêncio no útero revolucionário.

Menciono o artigo de  Celso Vicenzi: “O perigo de subestimar a história” onde o jornalista demonstra escavar a história do Brasil e encontrar a linha luminosa de lutas, revoltas, guerras e revoluções que demarcam a resistência de nosso povo e a derrota moral e humana dos aparentes “vencedores”,  que impuseram sacrifícios e opressões aos trabalhadores e aos pobres.

A notícia sobre a ovada (Ovos na cara de Dória acertam os golpistas!) recebida pelo fanfarrão João Dória,  o prefeito turista de São Paulo, é digna de atenção no que se refere à clarividência de nosso povo sobre o que representa gente como aquele burguês superficial e venal.

Assim merecem atenção os casos de Candomblé: religião de resistência e Cartas dos/as franciscanos/as reunidos/as em Aparecida conclama à indignação contra as injustiças pelos indícios potenciais rebeldes contra o golpe e os golpes que inibem as esperanças de quem não consegue ler o texto da vida onde a revolução é escrita diariamente, inclusive com o vermelho do sangue derramado.

Isso é bem claro nos testemunhos dados no “1º Seminário de Luta Contra o Neoliberalismo” acontecido aqui em Goiânia no final de semana passado.

Enfim, nossas esperanças para a luta e os avanços na unidade contra o golpe do pior do capitalismo se acentuam se soubermos ler o texto da ex Presidenta Dilma Rousseff sobre Carlos Araújo intitulado “A PERDA DE UM COMPANHEIRO”, quando ela  mostra a grandeza de uma mulher que sabe respeitar seu ex companheiro e sua atual companheira Ana Lúcia. Dilma reverencia Carlos Araújo por sua humanidade sensível na luta pelo trabalhismo e pelos trabalhadores e promete continuar a luta pelo Brasil em honra à memória daquele que, segundo ela, continuará vivo nas filhas, netos, na Ana, nos amigos e nela mesma, Dilma. A mulher que foi Presidenta sabe dar exemplo a tantas mulheres que se amesquinham, ciumentas, e perseguem outras mulheres e até ex maridos, sem respeito à dignidade das novas escolhas. Quem sabe se relacionar no respeito aos outros e suas opções qualifica-se para lutas maiores pelo povo ou vice versa.

Chamo a atenção para o caráter dialético da luta, que sempre é esperançoso. Onde parece predominar o desânimo e a desunião brotam borbotões intensos de vida nova. Onde se lê denúncias e até o aparente denuncismo há traços de indignação. E nos colunistas que honram este blog, como é o caso do Dr. Roberto Bueno que denuncia a desumanidade da servidão dos subjugados. No seu belo texto percebe-se crítica necessária à acomodação que pode nos infestar e retirar de nós a ética da revolta pela justiça ameaçada pelos massacres dos direitos.

Assim leio nas palavras do Dr. Aluisio Pompolha Bevilaqua ao ressaltar a luminosidade revolucionária de Carlos Araújo, com quem tinha profunda comunhão política e ideológica na análise de nosso País. Em Nota de pesar 24 horas depois descreve com tintas arrebatadoras de paixão pelo povo, pelo Brasil e pela revolução a amizade com Carlos Araújo e dos debates com o amigo. “Todo nosso pesar pelo desaparecimento físico do amigo e companheiro de luta Carlos Araújo. Para mim e todos que o conheceram, mesmo que minimamente, sua presença será indelével pelo pensamento objetivo e ideais que transcendiam ao trabalhismo herdado do pai”, sabiamente escreveu Aluisio. Como Dilma, Bevilaqua afirma sobre o amigo, com quem também estive algumas vezes em Porto Alegre, “por fim, falar de um amigo e companheiro de luta que passou como cometa em nossas vidas, mas como astro maior continua a nos iluminar, é um pesar que nos impulsiona a continuar lutando e se esmerando para seguir-lhe o exemplo.

Aos seus filhos Leandro, Paula e Rodrigo, aos seus netos, e à sua companheira Ana Lúcia, mais que nossos pêsames, expressamos nosso mais profundo sentimento de admiração e respeito.”

Exatamente isso, meu amigo Aurino, é de nosso dever nos iluminarmos pelos astros que brilham sobre nossa realidade tornada cruel por este golpe brutal, mas que não será para sempre desumana porque lutaremos e nos esmeraremos para seguirmos exemplos como o de Carlos Araújo.

Abraços críticos e fraternos na mobilização e luta por uma sociedade justa. Sou dom Orvandil, bispo da diocese Anglicana Centro Oeste, Arcebispo Primaz da Igreja Católica Anglicana e presidente da Ibrapaz.
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