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Roberto Armando Ramos de Aguiar: mais um patriota que morre no contexto de golpe e de assédio político e moral

Caríssimo  Professor Roberto Bueno, Doutor em Filosofia do Direito na Universidade Nacional de Brasília e na Universidade Federal de Uberlândia

Aprecio seus textos em livros, nos artigos aqui neste blog e em outros órgãos de nossa mídia na web.

Nos dias de trevas e de entrevamento intelectual,  com mentes dominantes paupérrimas e miseráveis de raciocínio, ler o amigo é alimentarmo-nos  do mais refinado cardápio,  servido pelo pesquisador, escritor e professor, que colhe os elementos na lavoura da existência e os serve com sabedoria nos refeitórios de livros e colunas.

Porém, num desses pratos, o amigo não nos serviu apenas com proteínas intelectuais de  história, de segurança pública, de conceitos filosóficos, ideológicos e políticos, mas da notícia triste da morte de nosso amigo comum, o Doutor Roberto Armando Ramos de Aguiar.

Numa semana de perdas, como a de João Gilberto, Paulo Henrique Amorim,  do grande intelectual, o sociólogo Francisco de Oliveira e da derrota dos trabalhadores, abatidos pela onda neoliberal fascista, que destrói direitos e  rouba o futuro sem Previdência Social, receber pelo amigo a notícia da morte do Roberto Aguiar foi mais um baque de balançar e tontear a alma.

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Nesse ambiente de luto e de derrotas o amigo, o caro autor de sua coluna no site Brasil 247, situa muito bem  em que conjuntura tomba nosso patriota Aguiar.  “O Brasil vive imerso em uma longa noite, cujos dias são nebulosos e cinzentos. As más notícias são diárias, as derrotas, cotidianas, e neste contexto as perdas humanas soam intensas. Dentre os grandes lutadores pela democracia e por uma visão progressista de sociedade e do direito esteve Roberto Armando Ramos de Aguiar, de longa e importante trajetória acadêmica e política, e que faleceu neste tão duro contexto em que vivemos, neste dia 12 de julho de 2019”, lá escreveu. 

Em algumas conversas privadas o amigo me informou de que teve Roberto Armando Ramos de Aguiar como orientador de sua pesquisa de doutorado e, certamente, como um de seus melhores e mais frutíferos amigos.

Tive o privilégio de conviver por algum tempo com nosso intelectual e político brasileiro. Antes de conhecê-lo soube da fama de um professor que morava num cubículo em Piracicaba e passa as noites estudando e pesquisando.

Roberto Aguiar era um fulgurante intelectual.

Tive a honra de comprovar a potência intelectual dele, a que se refere o amigo na sua coluna acima referida.

Aguiar foi meu advogado de defesa no Tribunal Militar em Santa Maria, RS, em seções de 13 horas quando fui condenado a 2 anos e 6 meses de prisão.

Diante de um júri sabidamente espúrio e farsante, que recebeu antecipadamente o veredicto e a pena prontos de Brasília, tendo como acusador um advogado medíocre e raivoso, que babava literalmente pelos cantos da aboca, gritando mentiras e ofensas contra mim, na defesa Roberto Armando Ramos de Aguiar sereno, bem humorado, generoso e respeitoso com os integrantes do júri, todos paus mandados oficiais militares da ditadura, alguns deles me ameaçaram de morte com metralhadoras em punho depois em plena Praça no centro daquela cidade, dizendo-me baixo que lamentavam não haver pena de morte no Brasil para que me condenassem a fuzilamento.

Nosso amigo deu verdadeira aula de direito durante o dia inteiro naquele tribunal de farsas. Estudantes e professores das Faculdades de Direito da Universidade Federal de lá e de outras particulares se revezaram,  deliciados para aprender com o grande e profundo tribuno.

Mas tive outros privilégios de conviver com o Roberto. Quando foi algumas vezes à cidade “coração do Rio Grande” fazia questão de almoçar na casa pastoral em que eu morava, num bairro pobre da periferia. Os papos com ele eram alegres, regados a muita piada e sérios também com lições intelectuais dele, que jamais esqueci.

Ele e eu éramos amigos e admiradores de outro intelectual, curioso e inquieto, o professor Elias Boaventura, na época reitor da Universidade Metodista de Piracicaba – UNDERP. Ambos eram vanguarda na luta por justiça social e pela  derrubada da ditadura imperialista militar, que sangrou nossa Pátria.

Fui a algumas aulas do professor Roberto naquela universidade. Queria aproveitar o máximo do saber dele. Tive o privilégio de almoçar na casa dele e de constatar seu alto nível de respeito, carinho e amor com sua família. A esposa dele era uma missionária evangélica das que oravam antes das refeições. Roberto, respeitoso e carinhoso, participava das orações dizendo amém, mesmo me parecendo ateu, postura essa digna em pessoas como ele.

Veja, leia e compartilhe: Aparecem as causas da morte de Paulo Henrique Amorim. Lula em risco!

O choro facínora e as lágrimas emocionadas do surdo, cego e injusto Rodrigo Maia.

De sorte, meu caro amigo, que me honra em contá-lo como colunista deste blog e de o mencionar fielmente em seu currículo quando escreve a outros órgãos, como o fez ao apresentar esse seu artigo, testemunhando que nosso mestre era um homem completo, pleno de exemplos a serem seguidos em todas as áreas da existência.

Além dos dons intelectuais, as capacidade e sagacidade política critica dele ao capitalismo, como marxista que era, Aguiar era dotado de uma alegria contagiante impressionante. Ao se aproximar das pessoas, mesmo que fosse para solicitar um simples cafezinho, demonstrava prazer de viver e de se aproximar dos trabalharores.

Portanto, lembrar de Roberto Armando Ramos de Aguiar  é nos servirmos do legado de um dos melhores brasileiros deste dois últimos séculos.

Restam-me a tristeza e a culpa por não falar com ele aqui em Brasília, há menos de 200 km de Goiânia. Tinha os números dos telefones dele mas,  mesmo tentando várias vezes,  não consegui lhe falar.  O amigo me contou de que ele se lembrava perfeitamente de mim e da luta que fez a favor de minha liberdade, impedindo que a ditadura praticasse violências ainda mais danosas contra minha dignidade.

Obrigado pelo artigo sobre Roberto Armando Ramos de Aguiar, mesmo portando a notícia triste da morte dele, veio intenso de uma biografia que se contrapõe à mediocridade e aos crimes contra a democracia e à educação, que como trevas recaem sobre o Brasil.

Ousar lutar e ousar vencer são marcas do povo em marcha. Venceremos!

Abraços críticos e fraternos,

Dom Orvandil.

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