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Sem educação

Por Edergênio Negreiros Vieira* 

A educação, esse ato social, cultural, intencional e político,  é um processo que nasce com o desenvolvimento do racionalidade humana. Educação é palavra polissêmica que remete tanto a polidez no trato, no relacionamento interpessoal, quanto ao processo descrito nas primeiras linhas, ação que nos difere dos outros animais. Como antônimo ao léxico educação é possível listar inúmeras palavras. Por exemplo, deseducação, ou sem educação. Essas são palavras  que resumem o que foi o Governo Jair Bolsonaro no ano de 2019.
 
 "Educar é um ato de amor,
por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade.
Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. "O período
entres aspas foi enunciado pelo maior cientista educacional brasileiro do
século XX: Paulo Freire. É lugar-comum dizer que Freire é o brasileiro com a
maior quantidade de título Honoris Causa, de Universidades europeias e
estadunidenses. É lugar-comum dizer que a obra de Freire é reverenciada no
mundo todo, como exemplo de educação crítica e libertadora. É lugar-comum dizer
que Paulo Freire não é unanimidade na academia, muito menos em espaços não
acadêmicos. No entanto, para o Presidente da República, Paulo Freire é
energúmeno... e Narciso acha feio o que não é espelho.
"Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor." Não há neutralidade no processo educacional. Por isso na pedagogia freiriana, o professor, a professora é antes de tudo "um/a forte." Paulo Freire ousou sonhar uma educação que lutasse pela emancipação social e política. Para ele a educação não é o lugar da passividade, é o lugar do discurso e da práxis política. Da vontade de educar e emancipar, da percepção de que "a leitura do mundo precede a leitura da palavra".

Fecharam a  TV Escola. Quando fiquei sabendo, o que me veio à mente foi o poema de Eduardo Alves da Costa: No Caminho com Maiakóvski.


“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.”

Fecharam a TV Escola, mas eles já não disseram que querem fechar o Supremo, o Congresso…? No primeiro dia eles tomam posse e já dizem que pra fechar o Supremo, só é preciso um cabo e um soldado. E não dizemos nada. No segundo dia, já nem se fazem de rogados, falam que o AI 5 é a solução e não dizemos nada. Até que um dia, o mais apedeuta deles entra sozinho em nossa casa, fecha a Escola e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

É com isso que eles contam: não dizemos nada! “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica.” Por mais Paulo Freire e menos Bolsonaro.

Edergênio Negreiros Vieira *É professor, mestrando em Educação, Linguagem e Tecnologias, PPG-IELT da Universidade Estadual de Goiás e colunista do Cartas Proféticas. 

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