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Significado da substituição de Lula por Fernando Haddad

Prezado jovem advogado Renato Almeida Jr, Curitiba, PR

Acompanho solidariamente o teu caso, querido sonhador e lutador jovem negro.

A violência de que foste vítima se inscreve no contexto de perseguição que os fascistas e golpistas tentam impor ao povo e aos seus líderes.

Solidarizo-me contigo e com tua família, meu irmão. Foste corajoso em não fugir dos bandidos e criminosos,  empregados em cargos públicos para se vingarem do povo e prestarem serviços sujos aos covardes da elite que se escondem no uso da atuação alienada deles.

Não fugiste da praça mesmo sob tiroteio nem te subsumiste no porta malas do camburão, viatura para transportar assassinos e agressores sociais.

Colocado como coisa mórbida de lá gritaste ao mundo através de teu celular para denunciar o racismo e a perseguição em forma de violência.

Daqui vai minha torcida para que o povo do Paraná perceba o que te aconteceu e te eleja como um de seus melhores deputados. O povo merece na Assembleia um jovem corajoso, lutador e ousado.

Tua situação nesta conjuntura se soma à prisão do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esse escândalo que esbofeteia o direito, a verdade, a pátria e o mundo.

O judiciário brasileiro com seu complexo escreve a pior peça para a história e comete o mais ignominioso crime contra o povo brasileiro.

Se me lês e me assistes há algum tempo percebes que a análise aqui é de que boa parte da chamada esquerda brasileira, principalmente a  dos militantes mais velhos, vem da autocrítica da linha militar que levou os partidos de ação guerrilheira a abrir mãos da luta armada pela mobilização popular.

Desde a década de 80 os partidos ingressaram nos movimentos sociais e frentes de massas para derrubar a ditadura e substituí-la pela via eleitoral.

Chegando ao poder,  grupos de esquerda se afastaram das mobilizações e, como os partidos liberais e de direita, só voltavam ao povo por ocasião das campanhas eleitorais.

Os mandatos parlamentares viraram trincheiras de disputas de correntes, sempre cada uma imaginando um povo sem povo e sem Brasil.

Parece-me triste que a esquerda virasse “esquerda eleitoral” sem o ímpeto militante para derrubar a estrutura capitalista dominante e apodrecida.

Golpeados nesse contexto, vemo-nos sem o povo e o povo sem lideranças militantes, articuladoras, organizativas, críticas e revolucionárias.

Golpeados vemo-nos sem justiça e sem instituições democráticas  porque, sem o povo,  nos deixamos assaltar sem resistência e sem a energia popular.

Regredimos aos anos 80. Lá precisávamos nos inserir no meio do povo para mobilizá-lo, para ganha-lo para a luta. Para as mobilizações articulávamos com Deus e o diabo  para obtenções de transportes, alimento e alojamentos. Tornamo-nos muito bons naquele processo. Como resultado contávamos com a alegria do povo que participava e com sua crescente adesão à luta.

Com as eleições sequestradas pela barbárie golpista em 2016, que tomou conta dos três poderes da república, nosso regresso político aos anos 80 “capengueia”. A esquerda eleitoral apega-se a campanhas e não percebe a necessidade imperiosa de voltarmos a mobilizar o povo para que este reconquiste as eleições e lhes dê conteúdo político sério na derrubada do golpe.

É ai que se desenha a prisão do nosso maior líder Luiz Inácio da Silva. É aí que  Fernando Haddad o substitui.

Os discursos cansam com sua marca de que estas eleições são as mais importantes da história de Brasil. Trocam a mobilização pelas eleições, cometendo erro que poderá se agravar depois das eleições, Haddad eleito ou não.

O povo merece e precisa se mobilizar antes e depois das eleições. Costumo dizer que a elite brasileira, com sua falta de caráter patriótico e de interesse político pela  economia social e justa, no seu desvario e estupidez, não brinca nos males que faz. Quem brinca é a esquerda.

As eleições clamam por libertação. Libertação é a marcha do povo organizado, politizado, unido, forte, crítico, sem espaços para lixos como Globo, Bolsonaro, Alckmin, Álvaro Dias, Mourão, Villas Bôas e outros aventureiros.

No cenário mundial com a decadência do imperialismo e, ao mesmo tempo, com sua fúria bélica, só o povo mobilizado sem deixar as ruas é que se pode evitar o processo continuado de golpes e de assaltos ao nosso país e ainda avançarmos. Cuba, Bolívia, Venezuela, a República Democrática da Coreia e outros nos mostram exemplos vigorosos de mobilização e organização popular, barrando vigorosamente as invasões imperialistas, sempre criminosas e assassinas dos povos e das nações, como acontece com os Estados Unidos invadindo Iraque, Líbia, Síria etc. .

Enfim, Fernando Haddad substitui Lula nesse contexto terrível que pede luta responsável, mais do que campanha eleitoral com as pessoas desmobilizadas e em casa a espera de um milagre.

Minha consciência pessoal se move em paz porque ajo em favor e com nosso povo, independentemente de calendários eleitorais e de candidaturas. Mas isso tem que ser para todo o povo.

Força aí na luta, meu irmão Renato.

Abraços críticos e fraternos.

Dom Orvandil, bispo cabano, farrapo e republicano.

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2 Comentários

  1. O artigo, escrito em tom elegante e diplomático, está em sintonia com o Duplo Expresso, ode a verdade sempre chega primeiro.

  2. O artigo expressa a mais pura verdade. E eu pergunto: até quando??? E mesmo mediante os absurdos que acontecem, ainda tem gente pensando que não foi golpe e não será outro golpe. Acordem população brasileira!!!! Chega de Injustiçaaaa!!!!

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