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Significados da Carta do Papa Francisco ao ex presidente Lula

Em resposta à carta do ex presidente Lula, enviada a Francisco no dia 29 de março, na qual faz análise da conjuntura,  da derrapagem do Brasil no abismo econômico e na desgraça dos pobres, o Papa lhe escreve com riqueza de significados.

É preciso  ressaltar que Francisco escreve em perspectiva absolutamente pastoral e política.

Por um lado, pastoralmente o Papa estende as mãos ao enlutado pela perda da esposa, do irmão e do neto.  Por outro, evidentemente,   o Papa conhece muito bem a circunstância de injustiça e das razões criminosas de tais mortes.

Dona Marisa foi praticamente assassinada por Sérgio Moro e pela gangue pró imperialista lavajateira. Lula se  referiu  em sua primeira entrevista da prisão ao ambiente de doença e pestilência  criado pela pelas perseguições da matilha de Sérgio Moro, que a nada nem a ninguém respeitou na família do ex presidente.

O seu irmão Genivaldo morreu de câncer em situação de ódio, propício ao desenvolvimento de doenças fatais e Lula impedido de visitá-lo no leito de morte e no   velório.

Quanto à morte de Arturzinho, o que dilacerou o coração do avô, presidiário político, o teatro circense a favor de Sérgio Moro e dos golpistas, mesmo enfrentado pelo carisma humano de Lula, elevou o nível e a sensação de que o luto  pesou num ar de profundo golpe de Estado,  que mata e enche de dor levada ao limite da suportabilidade.

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Foi a esse ambiente de sexta feira santa que o Papa Francisco se referiu ao escrever a Lula. Portanto, o que domina é a compreensão da injustiça que fabrica julgamentos sem provas nos arranjos dos palácios,  ocupados por opressores assassinos e .por veredictos que condenam inocentes.

Francisco sabe-se seguidor do Jesus mártir político, vítima dos Sergios Moros do império romano – os Estados Unidos da antiguidade – e do quanto os mesmos métodos podem se repetir como farsa.

Porém, pastoral e politicamente, Francisco vê para muito além das brutais tempestades do golpe que prende Lula. Assim como a Páscoa, afinal ainda  estamos nela e devemos vivenciá-la,  o Papa sabe que o líder presidiário político é de raiz pobre e pelos pobres sempre lutou. Lula está preso por causa dos pobres. É injustiçado por causa dos pobres. A essa grande causa, que o mobiliza também, o pontífice ilumina com a esperança da ressurreição, que ele lembra como passagem da morte para a vida, da opressão para a libertação, que deve ser radicalizada pela resistência de quem constrói a liberdade e a justiça passo a passo, pedra a pedra, com muito suor e luta.

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Esta carta do amado Papa Francisco é para Lula, endereçada ao presidiário político, ao injustiçado, mas ao homem que não se cala, mesmo que todos os massacres iníquos recaiam sobre ele, mas também é para cada um de nós.

É uma carta pastoral que reconhece a contradição entre os que lutam sem parar, mas com esperança pascal e os que julgam, condenam sem provas e prendem inocentes. Os mesmos servem aos que destroem a economia para os pobres, para os trabalhadores e tentam massacrar a resistência e a luta.

Uma carta como a que foi enviada por Francisco a Lula jamais seria remetida a Temer, a Aécio, quando for presidiário com penalidades justas nem para Sérgio Moro, um contumaz inimigo do Brasil, que um dia responderá a um judiciário justo pelos gigantescos crimes que comete, nem à Jair Bolsonaro, destruidor do povo e sanguinário para os pobres.

A carta do Papa Francisco a Lula é para cada um de nós que lutamos pelo Brasil e por “Lula Livre”.

Leia abaixo a íntegra da mensagem pastoral e política do Papa a Lula e a nós.

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Estimado Luiz Inácio, 

Recebi sua atenciosa carta do passado 29 de março, com a qual, além de agradecer a minha contribuição para defesa dos direitos dos mais pobres e desfavorecidos dessa nobre nação, me confidenciava seu estado e ânimo e comunicava sua avaliação sobre o contexto sócio-político brasileiro, o que me será de grande utilidade. 

Como assinalei na mensagem para o 52 Dia Mundial da Paz, celebrado no passado 1 de janeiro, a responsabilidade política constitui um desafio para todos aqueles que recebem o mandato de servir ao seu País, de proteger as pessoas que habitam nele e de trabalhar para criar as condições de um futuro digno e justo. Tal como meus antecessores, estou convencido de que a política pode tornar-se uma forma eminente de caridade, se for implementada no respeito fundamental pela vida, liberdade e dignidade das pessoas. 

Nesses dias, estamos celebrando a ressurreição do senhor. O triunfo de Jesus Cristo sobre a morte é a esperança da humanidade. A sua Páscoa, sua passagem da morte à vida, é também a nossa Páscoa. Graças a ele, podemos passar da escuridão para luz, das escravidões desse mundo para liberdade da terra prometida. Do pecado que nos separa de Deus e dos irmãos para a amizade que nos une a ele. Da incredulidade e do desespero para alegria serena e profunda de quem acredita, no final, o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e salvação vencerá a condenação. 

Tenho presente das duras provas que o senhor viveu ultimamente, especialmente da perda de alguns entes queridos, sua esposa Marisa Letícia, seu irmão Genival Inácio e, mais recentemente, seu neto Arthur de somente sete anos- quero lhe manifestar a minha  proximidade espiritual e lhe encorajar pedindo para não desanimar e continuar confiando em Deus. 

Ao assegurar-lhe minha oração a fim de que, neste tempo pascal de Júbilo,  a luz de cristo ressuscitado o cumule de esperança, peço-lhe que não deixe de rezar por mim.  

Que Jesus o abençoe e a Virgem santa lhe proteja. 

Fraternalmente. 

Francisco

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