Dória e Malafaia

Silas Malafaia é assassino, diz Prof. Luis Felipe Miguel

Há igrejas, religiões e grupos culturais extremamente  elásticos na tolerância e amor aos diferentes, mas não mais do que este blogueiro e bispo inquieto com as injustiças e opressões.

Por tanto, ao criticar e analisar  pessoas investidas de papeis religiosos, quer como pastores, bispos, arcebispos, cardeais, pais de santo, rabinos ou o que o valha, este blogueiro não visa as confissões dessas pessoas, mas seus compromissos ideológicos.

Este é o caso do pastor Silas Malafaia, que decidiu apoiar o fasticizande e fanfarrão João Dória Jr. como candidato a presidente da república em 2018.

Faço minhas as palavras enfáticas do Prof. Luis Felipe Miguel ao analisar o apoio daquele pastor à candidatura do alvo dos ovos do povo brasileiro, segundo anunciou hoje o jornal Folha de São Paulo.

O professor Luis Felipe, em sua página no Facebook, sintetiza o triste papel de Silas Malafaia como malandro, oportunista,  devoto fanático do dinheiro, “pilantra e aproveitador”, por isso, sem escrúpulos, ajoelha-se diante da direita mais nefasta, desumana, corrupta,  inimiga da Pátria, da democracia e dos direitos humanos, como é o caso de sua adesão à João Dória, essa criatura do lixo da burguesia retrógrada de São Paulo.

O professor vai além dessa malandragem gananciosa de Silas Malafaia na disputa com outros donos de igrejas empresas, para defini-lo como assassino.

Luis Felipe, indignado, afirma desprezo pelo gritão de púlpitos fanáticos à cata de dinheiro e fundamentalistas   “porque ele é um assassino. Pode nunca ter matado alguém com as próprias mãos ou apertado o gatilho, mas tem parte da culpa por cada gestante que morre num aborto inseguro, por cada mulher que é assassinada por um companheiro ou ex-companheiro que a tratava como propriedade sua, por cada lésbica, gay ou travesti que compôs as estatísticas que fazem do Brasil o campeão mundial de homicídios homofóbicos.”

Abaixo o texto do Professor Luis Felipe Miguel.


Reportagem na Folha de hoje mostra que Silas Malafaia tomou partido – por João Doria, contra seu até agora amigão Jair Bolsonaro. Ao obter o apoio militante do pastor, o dito prefeito de São Paulo dá mais um passo para se credenciar como nome da extrema-direita para 2018. O preço a pagar, claro, é ampliar o compromisso com o discurso fundamentalista e o ataque aos direitos das mulheres e da população LGBT. (Outros preços podem ter sido cobrados, mas daí é uma questão de foro íntimo entre Doria e Malafaia…)

Muita gente não gosta de Malafaia porque ele é pilantra e aproveitador. Eu acho isso o de menos. Eu não gosto de Malafaia porque ele é um assassino. Pode nunca ter matado alguém com as próprias mãos ou apertado o gatilho, mas tem parte da culpa por cada gestante que morre num aborto inseguro, por cada mulher que é assassinada por um companheiro ou ex-companheiro que a tratava como propriedade sua, por cada lésbica, gay ou travesti que compôs as estatísticas que fazem do Brasil o campeão mundial de homicídios homofóbicos.

Por ignorância, acredito, mais do que por má fé, a reportagem da Folha fala de “ideologia de gênero” sem aspas e deixa transparecer que a questão da construção cultural dos papéis masculinos e femininos é uma problema em aberto, não um ponto há muito estabelecido nas ciências humanas. A “ideologia de gênero” é, na verdade, um termo inventado pelos setores mais reacionários da Igreja Católica e que se tornou a bandeira da frente ecumênica em defesa do sexismo e da homofobia, hoje emblematizada, no Brasil, pelo projeto obscurantista da “Escola sem Partido” (sic). Se há, de fato, uma ideologia de gênero, ela é a ideologia que atribui compulsoriamente comportamentos estereotipados de acordo com o sexo biológico, nega autonomia às mulheres e proíbe relações afetivas que não se enquadrem em um único padrão.

Ao impedir que a desigualdade de gênero e a homofobia sejam tematizadas nas escolas e na mídia e combatidas por políticas de governo, esses grupos promovem ativamente a perpetuação de formas de violência e opressão. As motivações de Malafaia e de seus parceiros incluem doses variáveis de oportunismo político e de fanatismo. Mas são todos cúmplices de milhares de mortes anuais e do sofrimento e insegurança constantes de milhões e milhões de pessoas pelo Brasil afora.

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Um Comentário

  1. O artigo reflete aquilo que diz ser contrário: a intolerância a quem pensa diferentemente. Como diz o filósofo Edward Feser a questão não é de religião, mas de filosofia - dois sistemas opostos.

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