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Sobre a questão complexa da sexualidade humana e as falas do novo ministro “evangélico” da educação no governo Bolsonaro

Sobre a questão complexa da sexualidade humana e as falas do novo ministro “evangélico” da educação no governo Bolsonaro 

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Daniel da Costa*

Lendo as falas desse novo ministro da educação de Bolsonaro, Pr. da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) Milton Ribeiro, sobre como ele entende o problema da sexualidade (não vou considerar suas falas sobre educação), percebo o quanto as igrejas evangélicas atuais (estas das ditas denominações históricas) servem ao esquema demoníaco que põe a questão sexual humana em um círculo de dicotomia esquizofrênica.
Assim, os corretos, limpos e puritanos que, por estarem sempre certos podem “julgar” os outros. E julgar os outros pelo que os outros “fazem”. “VERSUS” os relativistas, libertários do vale tudo, do pode tudo em qualquer momento e de qualquer maneira, como se os seres humanos não fossem limitados espaço e temporalmente, e como se o sexo, assim como o dinheiro, poder, fama etc. não fossem, também, caminhos de abismo e de desgraça … 

Por um lado, os “puritanos e sempre certos” se consideram possuidores da verdadeira interpretação e aplicação dos textos bíblicos que impõem sempre sobre os outros. Coisa que o Fundador do cristianismo nunca fez, pois veio para salvar a humanidade, e não julgá-la (João 3.17); assim como também Jesus Cristo orientou seus seguidores a que “evangelizassem”, conforme seu modelo e ensino (por meio do acolhimento, da fraternidade, solidariedade, justiça em vista da paz real), e não que “condenassem”.

O Fundador do cristianismo nunca avaliou o “pecado” das pessoas pelo que elas faziam ou deixavam de fazer; pois se o fizesse não se salvaria um sequer: Jesus Cristo nunca disse que o pecado é fazer determinadas coisas ou deixar de fazer determinadas coisas; Jesus Cristo nunca caiu nessa armadilha moralista. Sempre deixou claro, em sua aproximação às pessoas (geralmente as excluídas e rejeitadas) que o “pecado” não estava no que elas faziam, simplesmente, mas no “motivo básico” que as orientava a fazer o que elas “se dispunham a fazer”, principalmente em relação aos mais fragilizados no esquema das relações de poder vigente na sociedade.

Assim, de modo impressionante, os demônios conseguiram enveredar a humanidade para este abismo que se coroou com o estabelecimento de uma antropologia dicotômica fundada nos falsos valores da burguesia de 1500, que, com a intenção de propor um meio de dominação do novo tipo de indivíduo que surgia à imagem e semelhança do tipo burguês (avarento, calculista, reivindicador, odioso, desconfiado, com reflexo de proprietário etc.) que se encaixava na nova sociedade que surgia, impôs uma separação ontológica estanque (fora da realidade concreta da vida da pessoa relacional e histórica) entre “corpo e alma”. Uma separação estanque que tem habilitado a permanência dos dois tipos clássicos (religiosos espiritualizantes) de gnose expressos (hoje de maneira laica, no âmbito da discussão social nas sociedades liberais atuais) no “VERSUS” apresentado antes: o tipo clássico de gnose mais conhecido da negação do corpo por meio do flagelo e auto punição (este o proposto pelos puritanos, castos, puros e perfeitos de ontem e de hoje), VERSUS a gnose, menos conhecida, do freio solto às paixões do corpo para cansa-lo e, enfim, poder dar lugar ao “espírito”, à “alma”, (este o tipo de gnose dos atuais liberados totais e absolutamente relativistas).

Diante desta questão extremamente profunda e complexa, dadas as condições de diálogo possível sobre a questão sexual humana colocadas hoje na linha do horizonte humano nas nossas sociedades liberais, o problema do “sex appeal” (explorado ad nausea pelos meios de comunicação alienantes e escravizadores) se coloca como um problema claro de civilização.

Assim, enquanto mantivermos esta questão crucial (a da sexualidade humana) sob o índice do maniqueísmo burguês apontado antes, cujo modelo antropológico dicotômico apontado também antes tomou forma de “doutrina e teoria” que pervadem e moldam nosso modo de construir as famílias, a economia, as relações  políticas e sociais, de trabalho, religiosas etc. a partir do século XVIII com os ideólogos da ideologia liberal (e seu individualismo e competição) não sairemos desse imbróglio que pode inspirar muito filme de drama, policial, literatura underground etc. e gerar dinheiro para uma minoria que vive da esquizofrenia social … mas solução humana para o caso nunca. 

Enfim, creio que é hora de nós, seres humanos, colocarmos as coisas a limpo. Pois, ou colocamos os problemas de forma clara (e esse em especial da sexualidade) sob o índice da busca da verdade, ou continuaremos patinando sobre a mentira construída historicamente … E este novo “ou … ou”, que proponho agora, não se reduz a uma dicotomia circular, pois pretende ser a expressão de alguém que está interessado em inscrever um verdadeiro alento de “liberdade” nas estruturas dicotômicas liberais, pela substituição da noção liberal de indivíduo isolado e rachado entre suas paixões e sua razão, pela noção concreta de pessoa relacional e histórica, expressão complexa e não passível de ser tomada como mero objeto.

Assim, colocar bases mais concretas para se resolver o problema criado pela dicotomia burguesa perniciosa, infrutífera e interesseira de 1500. Já que, no plano histórico de nossa vida humana temporal e espacial, reconheço, é urgente sempre estarmos atentos para os tipos de dicotomias que “necessariamente”, neste plano temporal de existência, se nos colocarão à frente em busca de soluções, de saídas frutíferas e biófilas, não burguesas. Até que possamos um dia ver a verdade como ela é.

Por enquanto, a nós, seres finitos, contingentes, incompletos e, portanto, seres históricos, as dicotomias são o que temos. 

*Bacharel, licenciado, mestre e doutor em filosofia pela USP; bacharel em teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP; pedagogo licenciado pela FALC; autor de artigos de filosofia em veículos especializados e livros coletânea; autor do livro *O cristianismo ateu de Pierre Thevenaz* (no prelo); tradutor de mais de trinta livros nas áreas de filosofia, ciências da religião, ciências humanas e teologia; músico profissional (guitarrista) e jornalista. Colunista do Cartas Proféticas.

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