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Sonolentos e “bonzinhos” os bispos católicos romanos criticam o miliciano Jair Bolsonaro

Por Dom Orvandil.

A entidade agregadora dos bispos e cardeiais católicos romanos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, fundada por dom Helder Câmara quando ainda era padre, funcionou dividida em 1964 por ocasião do golpe corrupto-imperialista-fascista-militar. Mais da metade dos prelados apoiaram os facínoras golpistas, que enterraram o país nas trevas de 21 anos.

Porém, ao final das décadas de 60 e de 70 em diante,  a Conferência começou a mudar sua composição ideológica em face dos constantes crimes de prisões, torturas e mortes promovidas pela ditadura, além dos desempregos e corrupão em alta escala.

Como escreveu Marx, o espírito e as idéias não são eternos. A matéria sim é eterna. Assim, ao conhecerem os casos gritantes de mulheres que acorriam aos confessionários e às casas paroquiais para pedir ajuda para encontrar seus maridos e filhos presos, torturados e desaparecidos e, principalmente, quando seus agentes pastorais, padres e até bispos foram presos, com muitos sacerdotes que defendiam a reforma agrária, posseiros, indígenas, quilombolas e os pobres trabalhadores moradores em favelas, os bispos passaram a criticar a ditadura.

No auge dos assassinatos, abafados pela mídia covarde e censurados pela a alternativa, dom Paulo Evaristo Arns,  juntamente com o reverendo Jaime Nelson Wright, pastor presbiteriano, e outros,  fundaram a Comissão dos Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, muitos bispos e cardeais se tornaram vozes proféticas na denúncia da barbárie fascista, que se alongou nos de chumbo até 1985.

Depois, sob a pressão neoliberal e sob o papado do pró neoliberalismo, João Paulo II e com o descendente da “Santa” Inquisição e seus horrores, o Papa Bento XVI, a igreja católica romana, com os bispos profetas jubilados e mortos, voltou aos velhos trilhos conservadores, historicamente aliada da escravatura e do capitalismo.

Durante o clamoroso golpe de Estado, maquinado e aplicado pelos Estados Unidos, contando com o suporte de grandes setores do empresariado neoliberal brasileiro, a CNBB foi tímida e pequena, fugindo do povo brasileiro massacrado com o massacre que se colocou em marcha desde 2013, derrubando a presidenta constitucional, Dilma Rousseff em 2016.

Agora, sonolenta, falando como madame em crise, a CNBB mostra sinais de fazer críticas ao desgoverno miliciano e protofascista de Bolsonaro.

O presidente, dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, se declara adepto do diálogo, longe dos extremos, como se isso fosse factível no planeta terra

Desde essa falsa posição, usando uma linguagem de bom moço, num claro exercício equilibrista entre as várias linhas reacionárias e até bolsonaristas da composição da entidade que dirige, Dom Walmor se opõe ao charlatanismo do presidente fantoche.

Nesse sentido, apesar das palavras envolucradas de quem tenta se colocar acima e fora dos conflitos, dom Azevedo, até que se junta, pelo menos na entrevista dada à Folha de São Paulo, aos setores patrióticos e não e não aos fundamentalistas e fascistas da sociedade, na defesa da ciência e não das aventuras do mercado dos lucros a qualquer preço.

Navegando na confusão entre catolicismo, cristianismo e Reino de Deus, Dom Walmor demonstra vínculos com as ideias do romanismo colonial, imperial e de bem com os poderosos, ao afirmar medroso que a igreja – para ele só existe a católica romana – não deve por as mãos em bandeiras progressistas empunhadas pelos partidos de esquerda.

Conheço muitos bispos que fazem esse discurso e as conseqüências moles, fofas e sem compromisso com as transformações das estruturas econômicas profundamente injustas, iníquas e pecadoras dos infernos. Tal postura atrai oportunistas modelos moscas sobre bolos e outros produtos, ávidas por pressionarem as posições alienadas e conservadoras, como proteção ao jogo dos capitalistas.

A verdade disto aparece nas próprias palavras de dom Walmor ao chamar os padres das pastorais de apoio aos homossexuais de trilharem caminhos equivocados.

Saúdo, contudo, mesmo que com discurso moderado e bom moço, a condenação de dom Walmor à postura miliciana ante ciência e ante isolamento social. O presidente da CNBB diz que quebrar o isolamento social é estabelecer o roteiro da morte. Corretíssimo. Principalmente dos trabalhadores e dos pobres, que ele tem horror de mencionar.

Rogo que os gritos dos sofrimentos de milhões de trabalhadores, pobres, indígenas, quilombolas e os abandonados moradores de rua, passem pelos portões da arquidiocese de Belo Horizonte, cheguem a dom Walmor e também a CNBB, tornando-os profetas que mais denunciem a barbárie que cresce, ajudando-os a não terem medo das bandeiras do povo e progressistas, ao contrario das bandeiras do fascismo, que também invadem as igrejas.

O certo é que o capitalismo, atolado na mais grave crise orgânica,  se rebenta não sem destruir milhões de vidas sob os tacões da exploração desalmada e perversa. Na luta pela mudança de paradigma econômico não caberá mais o “diálogo” de ajeitação com os golpistas e fantoches neoliberais.

Leia, se ainda não leu, a íntegra da entrevista de dom Walmor Oliveira de Azevedo à Folha de São Paulo.

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