Qual delas é a ideal

Mulheres: falsa dona de casa, falsa virtuosa, “moderna” e a revolucionária

Prezada Professora Ana Arquelho, Campo Grande, MS

Recebo-a com fraternidade em minha amizade e com gratidão por contá-la como uma das minhas preciosas leitoras e espectadoras do meu canal no You Tube.

Convido-a, minha nova amiga e minha colega na educação, a refletir respeitosa mas criticamente sobre alguns modelos femininos ainda ativos em nossa sociedade, apesar de em  extinção.

Nesta segunda feira escrevi aqui artigo sobre a opressão internacional e o ímpeto de luta das mulheres, neste pretendo enfrentar modelos ainda renitentes e um esperançoso porque libertário e empoderado.

Um com que me deparo seguidamente e sob o qual viveu minha mãe, morta prematuramente aos 38 anos sob pesado machismo como decorrência da opressão econômica e política de seu tempo, é o da mulher pretensamente dona de casa.

O discurso dominante que a faz crer ser dona de casa procede do marido, dos filhos e do seu entorno. No entanto, é um discurso intenso de mentiras ideológicas.

O falso donismo desse modelo de mundo feminino rola sob o desrespeito do marido e dos filhos. Seguidamente o cônjuge  lhe joga na cara que ela tem que fazer o que ele manda porque a sustenta com seu trabalho e com seu dinheiro.

Porém, por falta de ferramentas de análise e de consciência crítica, essa mulher, sem perceber que na verdade não é dona de nada, mas escrava explorada, acumula frustrações, carências, desrespeito e sua tendência é imergir na depressão como consequência de sua anulação. Elas não conseguem imaginar que outro mundo exista fora desse esquema doentio de família. Mesmo pobres acreditam em tudo o que a mídia mente.

 Conheço ainda muitas assim.

Outro é o da mulher “virtuosa”, que se dedica ao marido e aos filhos, tomando o esposo como cabeça do casal e a ele se submente crente da compensação na vida e no reino espiritual.

Estas mulheres suportam tudo com um sorriso marcadamente cínico, não por maldade mas por sobrevivência ignorante.

Elas se movem por uma “fé” inocente de que amam seus maridos, de que são amadas por eles e de que realmente criam filhos para o Senhor e para sua glória, como dizem.

Frequentemente encontro em cursos de graduação e até de pós-graduações este tipo de mulher. Mesmo em sala de aula não conseguem crescer porque desprezam as ciências e o conhecimento racional. Até têm medo da capacitação intelectual.

Em virtude de sua ingenuidade são perigosas porque falsas e antiéticas. Nos embates de ideias cravam facas nas costas de professores e de colegas que ousem questionar suas verdades e dogmas congelados. No fundo, traduzem o machismo na sua maneira de viver.

Estas também não aceitam que exista outro mundo fora de sua pobre e enganada vida.

Outro modelo interessante é o das mulheres de mais de 50 anos que cruzaram as décadas de 60, 70, 80 etc, casadas com machistas e cuidando dos filhos, servindo os cônjuges sexualmente e a prole com “dedicação”, incluso aí a  tática da sobrevivência dela e da família.

Estes maridos delas se imaginavam lobos à frente das empresas, garanhões dispostos a seduzir todas as funcionárias bonitas e clientes que negociaram vantagens com o uso do sexo, viraram gatos velhos assustados, muitos morreram alcóolicos, viciados e machistas ou se encontram inúteis, sem nada fazerem pela sociedade, contando com o desprezo e ojeriza delas.

Esse  modelo de mulher critica o tipo de família que ajudaram a criar mas não conseguem ingressar na luta para mudar a sociedade. Muitas permanecem em casamentos frívolos, desrespeitosos em famílias cujos filhos egoístas e estúpidos não guardam nenhum respeito por elas.

Elas não temem fantasiar situações sexuais prazerosas com equipamentos com um mínimo de satisfação. Outras partem mesmo para relações paralelas em busca de alegria, conseguindo atividades sexuais novas que superam vidas inteiras de casamentos sem graça.

Há muitos modelos, inclusive objetos de pesquisa nas academias. O fato é que as mulheres se transformam e não são mais as mesmas.

Refiro-me a mais um para não tornar esse texto mais longo.

Nos movimentos sociais convivo muito com mulheres inteligentes, cultas, críticas, líderes em várias áreas, que são casadas ou divorciadas e mães.

Diferentemente dos modelos anteriores o casamento e a família tradicional não são o eixo existencial dessas mulheres.

São empoderadas, emancipadas, profissionais, politizadas e críticas.

Seguidamente as vejo acompanhadas de maridos, namorados e filhos igualmente engajados na luta.

As relações em família são de conteúdo participativo e coletivo. Não são escravas dos homens nem dos filhos.

Por se entregarem a projeto de vida centrado socialmente não vivem da neurose do medo de perder marido nem que os filhos alcem voos aos céus da vida.

Não dão prioridade à arrumação da casa nem a tarefas domésticas, como nos modelos anteriores, que contam com mulheres exímias cozinheiras, faxineiras e do lar, mas pobres em criticidade, em análise e em consciência social, principalmente em relação ao drama das questões femininas, como escrevi antes. Muitas vezes encontro suas casas sem aquela aparência de cuidado, mas me deparo com livros, jornais, revistas espalhados sobre as mesas e sofás e computadores conectados em sites sérios de pesquisa.

Essas mulheres são saudáveis, não moralistas nem medrosas de conversar com os homens. Sua honradez é firme e respeitada pelo mundo masculino.

Noutras palavras, com mulheres inteligentes os homens não se metem sexisticamente porque sabem da força da critica que enfrentarão e do risco de serem denunciados como abusadores e machistas.

No Brasil conhecemos o caminho iluminado por mulheres assim:  corajosas, heroicas e testemunhas de que é na luta que se constrói pessoas saudáveis, aguerridas e sérias.

Tais mulheres são apaixonadas pelo sonho de uma sociedade justa, sem machismos porque sem opressão. Sabem que a revolução social que virá contará com elas decisivamente. São conscientes de que o processo das grandes transformações não é familiar nem religioso, muito menos moralista e fanático, mas social e laico. Essa sociedade não cairá do céu nem será fruto de arrebatamentos, mas de muita luta e educação cidadã.

Prefiguram em suas relações atuais o que esperam na nova sociedade: compartilhamento de tarefas e parceria em tudo. Não se julgam arrogantes como mães nem como companheiras. São conscientes de que maternidade e paternidade não é esquema chocadeira para produzir mão de obra para o mercado desumano, mas que filhos e filhas são para o mundo, por isso precisam de muito mais do que famílias isoladas e iludidas.

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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Um Comentário

  1. […] Fonte: Tipos da mulher neste dia internacional de lutas e de ímpeto revolucionário – CartaS e Reflexõe… […]

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