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Um conflito ancestral entre filhos do mesmo pai

Douglas Bucalem*

Ao contrário do que muita gente pensa, o estado de Israel não é uma unanimidade, mesmo entre os judeus. Existem vários segmentos da sociedade judaica que não aceitam o sionismo. Pausa para uma pequena explicação, o sionismo é a versão mais nacionalista e exacerbada do estado judeu, se baseando no velho testamento para justificar o povo preferido de Deus e a terra prometida por Ele. Isso por si só justificaria ações de violência e prepotência contra outros povos ditos não descendentes da estirpe de Abraão. O próprio surgimento do estado de Israel, implantado a força e por decreto após a 2ª Guerra Mundial (as nações, então comovidas pelo holocausto nazista), simplesmente ignorou a existência de povos ancestrais existentes a milhares de anos na região da antiga Palestina. 

Muitos Judeus se opõem a esse modelo de sociedade.  Alguns, e eu faço coro com eles, acreditam que os irmão Isaque e Ismael são filhos do mesmo Pai Abraão. Isaque, filho de Sara, teria dado origem ao povo Judeu e Ismael, filho de Haga, teria dado origem ao povo Árabe. Os dois povos reconhecidamente irmãos!

Os Judeus, não sionistas, também não reconhecem o conflito com os Palestinos e não aprovam o uso da força. A maioria acredita que a verdadeira nação judaica só virá a acontecer depois da volta do Messias, que não seria Jesus Cristo, mas o guerreiro previsto no velho testamento para resgatar a terra prometida aos descendentes de Abraão.

Meir Hirsch, líder do movimento Neturei Karta, é um exemplo de comunidade que se opõe ao projeto sionista de nação e vive à margem da sociedade israelense. Segundo esse movimento, expulsar o povo Palestino não paga a dívida das nações para com o holocausto, ignorado na ocasião por várias povos envolvidos na guerra.

O depoimento foi dado a mim em entrevista dada pelo líder Meir Hirsch por ocasião de minha estada em Israel. Na ocasião, o chefe do grupo destacou o caráter expansionista do sionismo, ou seja, um país que não delimita fronteiras conquistadas através de invasões, ações que estão contra os princípios religiosos do judaísmo.

Estive visitando Israel por um breve período e pude constatar o caldo de etnias que formam a nação judaica, apesar no nacionalismo fanático. Um judeu não se une somente pela etnia, mas principalmente pela religião e comunidades milenares existentes ao redor do mundo. Brasileiros tem dificuldade em compreender isso, já que nosso país é um só.

Movimentos que se opõem ao modelo de estado israelense podem contribuir para equacionar o conflito.

Os Palestinos expulsos de seus territórios são os “judeus da terceira guerra mundial”, por isso o conflito deve buscar a Paz e o convício fraternal entre os dois povos irmãos.

*Correspondente do Jornal da Manhã e da Rádio Líder.

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