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Um evangélico com medo de seus irmãos evangélicos

Isac Machado de Moura*

A ditadura militar (1964 – 1985) teve apoio das principais igrejas evangélicas, cujos nomes não direi porque sou muito ético: Igreja Batista, Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista, Igreja Luterana (O general assassino, torturador e sumidor de gente Ernesto Geisel foi luterano), Assembleia de Deus, para citar algumas, além, claro, da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, que logo teve um racha quanto a isso. O apoio a que me refiro não vinha apenas das lideranças não; o povo, como ovelhas marcadas e adestradas estava juntinho. 

Leia, reflita e compartilhe: O Filósofo ensina: “Não ceder à raiva. Desesperar jamais. O amor e a solidariedade vencerão”.


Pois bem, terminada a ditadura, todos os presidentes civis, de Sarney a Dilma, deram suas contribuíções para esclarecimentos das prisões, das torturas, dos sumiços. Sarney, seguindo orientação do grupo “Brasil: Nunca Mais”, ratificou a convenção contra a tortura. Collor determinou a abertura dos arquivos do DOPS. Fernando Henrique Cardoso criou a comissão sobre mortos e desparecidos e a comissão de anistia. Lula e Dilma criaram e instauraram a Comissão da Verdade. E agora, Bolsonaro, com apoio incondicional de lideranças evangélicas, salvo exceções raras, e do povo evangélico, salvo raras exceções, e dos católicos contrários ao papa Francisco, desfaz a Comissão da Verdade, nomeando militares para que desmintam o óbvio. Esse apoio incondicional dos terrivelmente evangélicos e dos terrivelmente católicos ao presidente, em mais essa afronta, é como se estivessem legitimando a dor de cada torturada, de cada torturado; a dor de cada mãe, de cada pai, de cada filho, de cada filha de desaparecidos. É como se evangélicos e católicos estivessem legitimando a dor de Maria, diante do seu filho, condenado como “bandido”, sendo crucificado; a dor do próprio Cristo; a dor de cada apóstolo, de cada discípulo torturado. É como se evangélicos e católicos antiFrancisco estivessem compactuando com a história das autoridades policiais romanas sobre o sumiço do corpo do Cristo. E esses terrivelmente evangélicos me xingam, me rotulam, me espraguejam. E como não sou o Cristo, que amou a todas e todos, incondicionalmente, eu não sei dizer aquele lindo “pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem”. Esses evangélicos luciferianos-bolsonarianos e esses católicos antiFrancisco sabem sim o que estão fazendo. Diante da cruz, eles debochariam de Jesus e de Maria, eles diriam a Maria que se ela tivesse educado o seu filho direito, ele não teria se tornado o comunista que virou. Eles gritariam para Jesus: “Ninguém na minha família foi torturado. Se está aí é porque mereceu.”


Hoje, enquanto evangélico que sou, tenho medo de evangélicos. E isso me dói. Não confio na maioria das instituíções evangélicas e menos ainda em suas lideranças. As exceções são bem poucas. Hoje, já estou preparado para ouvir pregações evangélicas assim, nas ruas: “Eu poderia estar por aí amando, cuidando de pessoas, lendo os evangelhos, me esforçando para compreendê-los e praticá-los, mas estou aqui, como cidadão de bem, como terrivelmente evangélico que sou, para dizer que se você não aceitar, hoje mesmo, bolsonaro como seu senhor e salvador, você irá para o inferno. Se podemos seguir aquele que pode crucificar, por que continuaremos seguindo aquele que foi crucificado?” Senhores terrivelmente evangélicos e terrivelmente católicos, eu sou ateu do deus de vocês. Não percam seu precioso tempo me enviando suas pragas gospel. Elas não pegam, queridos. Naquela Bíblia que vocês não leem mais tem uma parada assim: “Porque nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. E eu não troquei o meu Cristo por Baalsonaro. E eu não troquei a minha Bíblia pelo livro de ustra. E eu não troquei o amor incondicional do Cristo pelo ódio de Baalsonaro contra todos que não lambem-lhes as botas que já não tem, porque foi expulso do exército. Sempre é tempo de arrependimento. O que atrapalha o arrependimento são as certezas. E vocês me parecem certos de que estão do lado certo. Eu sempre estive e continuo do lado errado. O Cristo estava do lado errado, comparado ao lado certo de vocês. Cada um tem o Messias que “merece”. O meu viveu e morreu por mim. E o seu o que fez por você?

*Professor na empresa Ciep Brizolão 331 Lysia Bernardes. Trabalhou como Professor na empresa Primeira Igreja Batista em Unamar. Estudou Letras – Português/Literatura na instituição de ensino FEUDUC – Duque de Caxias. Frequentou Colégio estadual Professor Alfredo Balthazar da Silveira. Mora em Cabo Frio

Fonte do texto: sua conta no Facebook.

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Muito prazer: sou Johnny Bravo…mas pode me chamar de BolSONAZI;

Cidadania: “1.Diálogo com as notícias; 2. Diálogo com a poesia , música e a realidade”;

O que e quem causa desgraças como Bolsonaro, desempregos e depressões no Brasil e ainda se diverte?

Excesso de lucidez é uma forma de resistir;

Bolsonaro é podre e perverso a serviço de força que só pode usar um aborto humano como ele;

Mortos se levantam com seus familiares contra os crimes hediondos praticados pelos assassinos venerados por Bolsonaro;

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