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Um olhar possível sobre a educação

O professor Edergenio Vieira, colunista do Cartas Proféticas,  escreve a partir desse domingo uma série de artigos sobre o município de Anápolis. Preste a completar 112 anos, com mais de 350 mil habitantes, Anápolis é um município com inúmeras contradições sociais, por isso nosso colunista irá fazer análises críticas de temas como Educação, Emprego, Trânsito, Meio Ambiente e etc, na cidade. As análises sairão todos os domingos, até o dia 31 de Julho, aniversário do Município e começaremos com o Tema: Professores do Município de Anápolis.

                          “Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia” Leon Tolstoi

Edergênio Vieira*

Ao pensar no desafio de escrever textos sobre temas relacionados ao município de Anápolis, refletir sobre uma análise de esquerda, com orientação científica de alguns pensadores no município de Anápolis, resolvi começar por algo mais próximo a mim. O meu habitus linguistico como pensou um dia Pierre Bourdieu.

Tolstoi é um escritor russo, é de autoria dele a epígrafe desse texto. O russo é autor de um clássico, dois para ser mais exato e não que sua obra se resuma aos dois livros, no entanto esses são os mais conhecidos: Guerra e Paz, e Anna Karenina. 

Gosto de ambos, são dois calhamaços de páginas, leitura não habitual na era dos grupos de WhatsApp, Facebook e outras redes sociais que roubam o ato retido e introspectivo que uma leitura requer. Minha predileção é maior por Guerra e Paz, pois a novela tem fortes inspirações de um teórico francês, anarquista socialista Pierre Joseph Proudhon, que eu gosto da forma com que ele pensou as coisas no tempo dele. Ele apesar de ter sua obra ligada à perspectiva anarquista, ou livre organização individual, um modo de vida auto-gerida por você mesmo, auto gestada, sem hierarquias espirituais ou sociais, apesar disso, Proudhon já foi chamado por Marx de socialista utópico. Mas considerações a parte, o que nos interessa mesmo é refletir a educação anapolina num olhar à esquerda. Quais pressupostos seriam defendidos? Qual tipo de organização deveria ser estabelecida? Como seriam as relações entres as pessoas nesse processo?

Na minha opinião passa por três eixos básicos: O diálogo, o estudo e a ação prática. Esse movimento deve ser dialético, sem a supremacia de uma dimensão sob a outra. Não há hierarquia de valores nesses três pilares. O estudo, todo professor deve ser um estudante, o professor que não se coloca na condição de um eterno estudante não pode e nem deve ter a pretensão de dialogar com ninguém, a visão do aluno como ser sem luz, como indivíduo desprovido de uma identidade mínima não cabe nessa análise. Ser professor não é dom, não é vocação, ser professor é uma construção social, é ter uma identidade profissional, tal qual outras como médico, engenheiro, odontólogo, veterinário e etc. E como profissional ele deve estudar e estudar muito, pois lida com o conhecimento científico como uma das principais ferramentas de trabalho e este conhecimento é complexo e transitório. Não há verdades absolutas para ciência. O professor também lida como o conhecimento místico, com o empírico, com o filosófico, que é um tipo de conhecer ignorado pela maioria dos docentes brasileiros. Então o professor nessa dimensão estuda e estuda muito.

Diálogo, o professor anapolino precisa e deve dialogar, somente a interrelação entre os docentes permitirá o conhecimento da vida profissional do outro. O professor anapolino precisa produzir ciência, conheço poucos professores anapolinos que escrevam. Mesmo os mestres e doutores não apresentam suas pesquisas para os colegas da rede. Se não as suas dissertações, resenhas de obras como filmes, livros, peças de teatro que auxiliariam os professores a terem um contato com os gêneros textuais que circulam nas academias onde esses professores fizeram seus mestrados e seus doutorados.

Compartilhar as dores e as alegrias, as vezes sofremos o mesmo tipo de opressão em espaços geográficos, sociais, culturais e políticos e não adquirimos solidariedade de classe. Das classes profissionais mais numerosas no Brasil, de forma empírica, os professores são uma das mais desunidas. Falta unidade na luta por uma educação melhor. Um dos motivos para isso acontecer é a incapacidade de dialogar. Logo os professores, que devem ser aqueles que incentivam a relação dialógica são os que a tolhem. Reuniões pedagógicas na maioria das vezes são reuniões de comandos, não há horizontalidade nas falas, não disponibilidade para o contraditório, não há lacunas para experimentar outras formas de gerir a educação, gerir uma escola, um sindicato, uma Cmei, um centro de estudos é gerir pessoas. Queremos mesmo gerir alguém? O ato de gerir é um ato de execução de ações pré-determinadas por um administrador. Não quero e nem tenho a pretensão de gerir ninguém. E não quero que ninguém venha me gerir. Dizer o que eu devo falar, ou mesmo como eu devo agir. Mas por que não?

Pela prática, por causa da ação prática. Marx, nas Teses sobre Feuerbach evidencia que o saber para o pensamento humano, enquanto verdade objetiva não pode ser teórica, e sim oposicionalmente prática.  Para ele é na práxis que o sujeito deve evidenciar a verdade, ou seja, a realidade e o poder verdadeiramente, o que seria em outras palavras a maneira de agir ou de reagir de uma pessoa, ou de um grupo. É a firmeza e a coerência de atitudes. Por fim Marx vaticina que um embate entre a realidade ou a não realidade do pensar, isolado da práxis, é uma interrogação “puramente” de escolástica. 

O professor precisa ter prática, aquilo que ele fala, aquilo que reproduz, constrói, elabora, reelabora precisa ser colocado em prática, em ação. Não é o discurso apenas, ainda que o discurso seja uma manifestação da prática, mas o discurso não descola da ação. Professor deve se manifestar, manifestar é o ato de revelar, exibir, apresentar, publicar. Assim como esse texto está publicado. Eu estou manifestando a minha forma de ver e entender a educação anapolina, na postura, no posicionamento do professor. Falo do sujeito professor, baseado no meu empirismo, na minha prática. E abro o diálogo para a construção dialética do outro por meio do estudo e da ação prática. Abro também o espaço da minha coluna no blog para o contraditório.

Não abordei nesse artigo itens como valorização profissional, condições dignas de trabalho, respeito social entre outros pois, tudo isso já está implícito no meu texto. 

Pensar o sujeito professor anapolino é pensar um novo caminho, para uma nova forma de pensar, propor, estudar, dialogar e colocar em prática uma educação que seja pelo menos num horizonte próximo, um ato educativo com vistas à emancipação social, e mais profundamente a ruptura total com o paradigma de hoje exigirá esforços que estão na minha opinião, estão para além da escola.  Envolve a Infraestrutura e a superestrutura do modelo de produção, mas isso já é assunto para outro texto.

*É mestrando em Linguagem e Tecnologia pela UEG, colunista do Cartas Proféticas.

Acesse, leia e compartilhe:

Profecia Noturna: “Demissão de General patriota da direção dos Correios e histeria de um traidor!”

Chimarrão Profético: “Com medo dos trabalhadores, Bolsonaro aposta no fiasco da greve geral!”

Profecia Noturna: “Militares patriotas e nacionalistas, levantai-vos em apoio ao Brasil!”

Chimarrão Profético: “Resposta ao General Vilas Boas: seja razoável antes que seja tarde!”

O amor é o mais alto grau da inteligência humana;

Chimarrão Profético: “Grampos ajudam a furar os balões da quadrilha Moro-Dallangnol!”

Dois videos importantes: 1. análise do vaza jato; 2. bate papo com prof Railton sobre a greve geral.

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