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Um supermercado de torturadores, 3 negros, um juiz conivente e chocolate

Por Dom Orvandil.

Não é demais voltarmos ao lamentável tema da tortura de um adolescente por um supermercado em São Paulo. Pelo contrário, é preciso o mergulho na análise, num olhar mais profundo  nos  meandros que se escondem nesse fato rotineiro de barbárie e violência instituída nesses antros de assalto à economia popular e roubos através de lucros aviltantes, principalmente com a alimentação.

Como sempre  e historicamente acontece com os verdadeiros chicoteadores malandros,  que se escondem às sombras bebendo água fresca e,  por detrás de notas cínicas, os verdadeiros torturadores do pobre adolescente, já debilitado pela miséria e pelo uso de drogas,  foram e são os donos da rede de supermercado Ricoy.

Num setor pobre, de trabalhadores, pequenos lojistas e muitos pobres o supermercado, como igreja neopentecostal, é uma posto avançado do macro mercado nacional e internacional impatriótico,  feito para usurpar e controlar moradores/as e trabalhadores/as.

A rede supermercado Ricoy não é um boteco inocente, vê-se pela nota fingida, elaborada em termos usais, certamente assessorada por profissional da advocacia, para  livrar a cara dos donos da escravidão, desconhecidos e ocultos.

Os seguranças brutamontes foram contratados pela rede Ricoy. Eles não atuavam lá por livre e espontânea vontade. Mesmo que usados como capitães do mato de uma terceirizada, os donos são responsáveis morais pelas torturas e pelas barbaridades – os moradores e advogados/as informam que os seguranças já maltrataram, ameaçaram e constrangeram muitas outras pessoas. Quem deve responder criminalmente são os donos daquele antro de barbárie.

Ou os proprietários do botecão não sabiam  da sala e dos equipamentos de tortura? Como senhores ávidos de lucros não saberiam de que no seu estabeleciemento há torturas e torturadores por causa de porcarias irrisórias como barras de chocolates?

Contar com seguranças grosseiros, desrespeitosos, abusadores, de olhar fulminante,  com o objetivo de intimidar e constranger, em muitos caos policiais milicianos e coxinhas,  em horas extras, já acostumados ao racismo e à humilhação dos mais pobres, é rotina para esses supermercados, cujos donos em concuio com fornecedores e bancos, enriquecem e corrompem à custa de muito lucro.

Os supermercados e shoppings são pontas  do iceberg terríveeis dos grandes ladrões econômicos da sociedade. Portanto, os seguranças de porta e de corredores, com interfones como equipamentos de espionagem e de calúnia, quanto mais primitivos, mal educados e temperamentais melhores para os sinhozinhos lá embaixo das árvores dos lucros a qualquer custo.

Dizer que a rede de supermercado Ricoy repudia a violência, o racismo, a tortura e que se disponibiliza a apoiar em tudo o adolescente torturado, como disse na nota hipócrita publicada,  é pura falácia e falta de respeito para com a verdade.

Supermercado é mercado. Mercado é prioridade ao lucro e ao enriquecimento de preguiçosos que roubam tudo de quem trabalha. Seguranças, guardas, policiais e judiciário são todos usados como rede de proteção dos crimes que cometem minuto a minuto.

Outra máscara que precisamos arrancar das caras dos verdadeiros criminosos é a do desvio da luta, que acaba por favorecer os torturadores do mercado,  é o fato de os dois seguranças que desancaram porrete feito de fios elétricos sobre o pobre – pobre em todos os sentidos – adolescente, covardemente amarrado e com fita adesiva na boca,  para calar os gritos de sofrimento, racismo, tortura e espancamento num corpo frágil de quem já vive no limite das possiblidades de morador de rua é o fato de ele ser negro torturado por seguranças negros.

Lembremo-nos de que os capitães do mato,  “profissionais” de acoites humilhantes em praça pública, com escravos amarrados em troncos, eram negros. Eram negros que batiam com ódio e com muita gana em seus irmãos assaltados e arrastados da África.

Recordemos também de que o miliciano Jair Bolsonaro tentou emplacar um negro – bem negro  – na fundação Zumbi dos Palmares exatamente para perseguir e destruir os programas minimamente libertários , conquistados pelos movimentos negros de todo o país.

Pois é, os seguranças absolutamente incorporados pelo espírito do mercado, ganhando certamente migalhas de seus patrões, vivendo uma existência ética e intelectual miserável e desonesta, com o cérebro de lumpemproletários, se jogaram com gana e ódio sobre um jovem negro, radicalmente carente de compaixão, de respeito e de solidariedade.

Os donos da rede Ricoy, verdadeiros responsáveis pela tortura do adolescente, não viram antes as necessidades do morador de rua, porém, depois da repercussão  fingidamente declararam por nota e pela mídia que se colocam a disposição dele e da família para ajudar.

Esse fato, como tantos outros como caso do supermercado Extra do Rio de Janeiro cujo segurança matou um doente mental, é prova inconteste de que o racismo é subproduto dos mais cruéis do mercado.

Porém, a luta maior não é a contra o racismo nem por impor agendas com caráter arrogante e particularista dos movimentos identidários e negros, que brigam entre si e contra todos para impor sua agenda como a redenção do mundo.

Os guardas não torturaram o adolescente também negro e pobre como eles porque era negro.  A ação costumeira move-se porque aqueles trabalhadores se deterioraram, se corromperam e traíram sua classe trabalhadora.

A indigência da consciência de classe os faz mentirosos a serviço das  mentiras dos patrões; os torna traidores porque se deixam drogar  pela ideologia de classe dominante, rendidos como escravos e miseráveis odiados pelos trabalhadores e pelos a quem servem, que também os odeiam. Tanto odeiam que na hora “H” os desprotegeram e os jogaram na prisão, onde milhares e milhares de trabalhadores apodrecem por falta de solidariedade de classe e sem a revolta organizada e correta.

A crise orgânica do capital aponta que as lutas menores devem abrir espaços para o diálogo e luta unitária entre todos/as entorno da classe trabalhadora.

Trabalhadores/as organizados/as, abraçados/as à sua origem e vida de classe operária, negros/as, pardos/as, amarelos/as, brancos/as, todos/as etc,  nos libertaremos do racismo quando nos unirmos na luta contra o inimigo maior, ladrão, corrupto, golpista e instalado no poder econômico.

Trabalhadores/as na luta e unidos/as não são racistas, mas fraternos/as e solidários/as.

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