avó lutadora

Uma mulher trabalhadora, mãe e avó entrega-se à greve de fome pelo povo

‘Não é filho e neto de sangue mas é filho do mesmo jeito: todos os brasileiros, né? É esse povo que estou defendendo’ / Foto: Nacho Lemos/TeleSur

Idade, maternidade, ser avó e trabalhadora não são desculpas para uma mulher lutadora.

Da mesma forma que Vilmar Pacífico, Zonalia Neres dos Santos Ferreira  entra na luta numa nova forma, agora na greve de fome.

É preciso reafirmar que é fundamental lutar. A alienação formatada pelas religiões, pela mídia e pelas elites dos partidos, todas, todas mesmo ocupadas com eleições, pior,  num quadro de golpe de direita, quando candidat@s servem mais aos interesses do golpe e na ilusão do povo de que esse processo resolverá alguma coisa, Zonalia mostra que a luta para mudar tem que seguir outro caminho numa possibilidade de que ela e seus companheiros morram de fome.

Evidentemente a elite golpista, que trás de volta o Brasil para o mapa da fome e da miséria, que matará a muitos,  não se comoverá com esta greve de fome, mas Zonalia faz bem em nos dar exemplo de luta e de fé.

Leia abaixo a edição de matéria sobre essa brava camponesa sobre quem escreveu Juca Guimarães do Brasil de Fato

Única representante da região Norte entre os seis militantes que entraram em greve de fome nesta terça-feira (31), Zonalia Neres dos Santos Ferreira nasceu no Mato Grosso do Sul, mas vive em Rondônia há mais de 30 anos.

“Eu nasci em Mato Grosso do Sul e moro em Rondônia. Sou camponesa e filha de camponês nordestino. Eu fui para Rondônia em 1987. Estou na luta junto ao MST desde os anos 90. Eu sempre fui camponesa. No Mato Grosso do Sul, os fazendeiros foram imprensando até que meu pai teve que vender o restinho de terra que a gente tinha”, diz.

Logo após ir para Rondônia atrás de um lugar para viver e trabalhar, a família de Zonalia foi tomada pela “frustração”. Na madrugada entre os dias 24 e 25 de julho de 1990, entretanto, viveu um momento “muito prazeroso”: sua primeira ocupação de terras improdutivas. Após rodar o estado “de despejo em despejo” – quatro no total – ocupou o local onde hoje vive. Depois de dois anos, em 1992, se tornou assentada da reforma agrária. Não seria sua última ocupação, já que continua participando do Movimento até hoje.

O assentamento Madre Cristina, onde vive, se localiza no município de Ariquemes (RO), um dos mais violentos do país. Historicamente marcada por conflitos fundiários, o local agora vive outras agruras nos últimos anos. Com o fim das obras da hidrelétrica de Santo Antônio, combinado à crise econômica e o desemprego, a região passa por um momento de ainda maior violência social.

“Rondônia tem muito minério. As empresas já estão entrando. A chegada da soja é muito grande. O enfrentamento com o capital é muito grande. Ariquemes é uma das regiões em que mais morre gente por conta de conflito por terra. Tem também a questão das periferias das cidades: tem aumentado muito o uso de drogas. As praças estão tomadas. E a gente sabe que eles não são os culpados por isso”, afirma.

Zonalia é mãe de oito filhos e avó de sete netos. Mesmo com a família numerosa, demonstra um desprendimento incomum ao aderir à manifestação.

“Foi uma opção minha vir para a greve de fome. Meus netos e filhos são assentados e tem a terra para produzir. Minha preocupação é pelos outros que não têm. Não é filho e neto de sangue mas é filho do mesmo jeito: todos os brasileiros, né? Jovens, crianças. Isso também é minha família. É esse povo que estou defendendo nessa luta”, afirma.

O perfil de Zonalia é o primeiro de uma série que o Brasil de Fato produzirá sobre todos os participantes da greve de fome pela liberdade de Lula.

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