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Vamos atuar na Anistia Internacional

Douglas Bucalem*

Admiro muito grupos que trabalham silenciosamente por causas de grande efeito e importância para a sociedade global. Como jornalista e radialista tenho muito orgulho de ter sido um colega, o fundador de uma entidade respeitadíssima como a Anistia Internacional. Para quem não conhece, o ideal da entidade surgiu depois do inglês Peter Benenson ter lido um artigo no jornal The Observer relatando a detenção de dois estudantes num café de Lisboa, em Portugal da ditadura salazarista (António de Oliveira Salazar 1889-1970) que ousaram fazer simplesmente um “criminoso” brinde a liberdade. Peter Benenson passou então a entender o valor da denúncia publica, transformando esse fato em imenso alarde, que resultou num movimento mundial, pressionando e possibilitando a liberdade dos infelizes estudantes. Inspirado nisso, desde então a Anistia Internacional tem denunciado governos e grupos que violam a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948 logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, referendada por praticamente todos os povos da Terra. Seus militantes estão espalhados pelo planeta atazanado a vida de governos e outros personagens que ousam violar o direito à vida. Trabalho voluntário, a Anistia Internacional não recebe doação de governos, empresas ou outras entidades que comprometam a idoneidade e independência das ações e suas consequências. A entidade vive e é sustentada por pessoas física espalhadas pelo mundo. Entre outros dados:
• Foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 1977 por sua influência na implementação da Convenção Contra Tortura;
• Desde 1964, a Anistia Internacional tem status consultivo especial na ONU, fato que permitiu implementar desenvolvimentos cruciais em matéria de direitos humanos, incluindo: Protocolos adicionais aos Tratados de Direitos Humanos para a Abolição da Pena de Morte e para manter as crianças fora das forças armadas;
• A Anistia Internacional já enviou mais de 20.500 ações urgentes para defender grupos em risco e vítimas de violência, ajudando a libertar pessoas de prisões arbitrárias e de outras situações abusivas;
• Atuou em mais de 3.400 missões de pesquisas internacionais;
• Produziu mais de 17 mil relatórios e documentos públicos, entre eles anualmente o relatório mundial sobre a situação dos Direitos Humanos em todos os países, sempre esperado ansiosamente pela imprensa mundial e por militantes do planeta nas várias áreas que englobam os direitos fundamentais dos cidadãos em seus países de origem (Fonte: site da Anistia).

Nos dias de hoje a Anistia tornou-se a maior organização independente do mundo de defesa dos Direitos Humanos, contando com mais de 7 milhões de apoiadores distribuídos em 150 países.

Alguns exemplos de sucesso: ​

Partidários da Anistia Internacional em todo o mundo escreveram mais de 394.000 cartas, e-mails, tweets para Phyoe Phyoe Aung durante a Write for Rights, maratona global de cartas promovida todos anos pela Anistia Internacional em Dezembro por ocasião da Semana mundial de Direitos Humanos. A Anistia Internacional “adota” especialmente alguns presos ou situações no sentido de reforçar ou simbolizar a luta. Fora dessa época, esse tipo de ação é constante através do expediente chamado “Ação Urgente” envolvendo todos os militantes que atuam em uma rede muito bem organizada. Phyoe Phyoe Aung, foi detida em Mianmar depois de ajudar a organizar protestos estudantis em grande parte pacíficos em 2016. Enquanto ainda estava na cadeia, Phyoe Phyoe Aung disse: “Eu agradeço muito a todos por seu apoio a mim e ao nosso movimento. Receber cartas me dá uma inspiração real para o que estamos fazendo. Comecei a perceber que o mundo está nos observando e nos aplaudindo – não estamos sozinhos”.

Yecenia Armenta é sobrevivente de tortura e maus-tratos no México. Em 2012, ela foi detida pela polícia mexicana, espancada, asfixiada e estuprada até assinar, sem ler, uma confissão de que teria assassinado seu marido. Mesmo sem provas, ela passou 4 anos na cadeia, afastada dos filhos e da família. Foi libertada por ação dos ativistas da Anistia Internacional, mas ainda há muitas outras pessoas que precisam igualmente dessa ajuda no México em processos semelhantes, inspirados pela machismo da sociedade.

Cesar Benjamin foi preso aos 16 anos pela ditadura brasileira por atuar no movimento estudantil em 1971. Estava indo para a casa de seu primo. Ficou 5 anos na prisão. A Anistia Internacional realizou várias ações em defesa de César e ele foi eleito preso de consciência pela organização em 1975. Sua prisão foi ilegal: ele foi condenado pelos tribunais por supostos crimes cometidos quando era menor de idade. A pressão estrangeira forçou o governo militar do Brasil a entender que embora o mundo não pudesse vê-lo, César não havia sido esquecido. Finalmente, ele foi reconhecido pela Justiça como inocente. Ao ser libertado, foi para o exílio na Suécia, que durou cinco anos. Ele só voltou para sua casa no Rio de Janeiro, uma década depois do dia em que partiu para dar a aula de matemática ao primo (Fonte: site da Anistia).

No passado, em plena ditadura no Brasil (1964-1985), militantes da Anistia Internacional agiam clandestinamente denunciado o encarceramento e tortura de centenas de patriotas. O mundo ficou sabendo através deles, as atrocidades cometidas pelo regime e escondidas pela censura. Muitas vidas foram salvas pelo envio sistemático de milhares de cartas, petições e protestos tirando o preso do isolamento e escancarando os porões da ditadura brasileira. Hoje a Anistia Internacional em terras nacionais, atua também na defesa dos índios, contra a homofobia e outras transgressões a direitos e tratados assegurados pela legislação local e assinados pelo Brasil perante a ONU. Não faz nada fora da Lei, apenas força sua implementação através da pressão da sociedade e praticando a denúncia sistêmica usando como aliado as redes sociais.

Você também pode ajudar financeiramente ou se agregando a uma das várias e nobres causas defendidas pela Anistia Internacional. E como diz o povo nas ruas “eu já estou dentro”.

*Correspondente da Rádio Líder FM e Jornal da Manhã

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