Lésbicas

Visibilidade lésbica: pior preconceito é no ambiente familiar, diz pesquisadora

Redes de apoio tentam garantir abrigo e trabalho às mulheres homossexuais, que desde cedo sofrem violências físicas e morais até expulsas de casa.

São Paulo – (Redação RBA) – Elas são inexistentes para o poder público, enfrentam preconceitos no ambiente de trabalho, são vítimas de violência física e moral e, muitas vezes, não são aceitas dentro da própria família. Para combater o tabu presente na sociedade em relação à orientação homossexual de mulheres, estabeleceu-se o 29 de agosto como Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.

A pesquisadora da lesbianidade Bianca Chella, em entrevista nos estúdios do Seu Jornal, da TVT, relata que a invisibilidade da população lésbica persiste inclusive nos círculos acadêmicos. Segundo ela, até na área de saúde sexual faltam pesquisas voltadas para o público lésbico que, por desinformação, fica mais vulnerável a todo tipo de preconceito e até de doenças.

Ela conta que, desde os 15 anos, começou a se aprofundar no tema, produzindo artigos e traduzindo textos que auxiliassem na orientação das mulheres. “Senti uma falta muito grande de materiais e espaços para que eu conseguisse me sentir confortável para falar com outras lésbicas e para entender o que é sexualidade. Com 15, 16 anos, comecei a me aprofundar, produzir materiais, a traduzir. Tentando ajudar outras mulheres, porque não quero que elas passem pelas mesmas coisas que passei e que outras com certeza passaram também”, conta Bianca.

Ela também relata o preconceito sofrido, inclusive no círculo familiar. “A partir do momento em que você se assume, ou que a sua família começa a perceber que você é lésbica, você já começa a sofrer a violência, psicológica ou física. É muito grande o preconceito que a gente sofre dentro da família. Expulsam a gente de casa.”

No trabalho a situação não é diferente. Além de tudo isso, lésbicas que procuram acompanhamento psicológico costumam ser impelidas à bissexualidade ou à heterossexualidade, em mais uma demonstração de preconceito, conta a pesquisadora.

Como estratégia de sobrevivência, solidariedade e informação, redes de proteção e apoio mútuo tentam garantir abrigo e oportunidades profissionais às mulheres lésbicas. Bianca cita, como exemplo, a experiência da InfoPreta, empresa de tecnologia criada pela ativista Buh D’Angelo, que emprega apenas mulheres negras, LGBT, transexuais e travestis.

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Assista a entrevista:

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